sábado, 28 de março de 2015

7. Caipira.

   - Venho colher o fruto semeado.
   - Mas não tem medo, de ser catado, enquanto dorme fora de casa? 
   O simplório caipira é um migrante, sazonal. Ocupa um porão de casa abandonada, para dormir. 
   O citadino trancafia de dia, aquele porão vazio, por desconhecer o fluxo migratório, da colheita agrícola. O que sente? Quem age assim, reativamente, pra proteção de sua própria família, em casa vizinha?
   Ao compartilhar sua contradição é, ele, aparteado por uma postura de gabinete: 
   - “... Mas, ele tinha autorização para ali pernoitar?" 
   O hábito não respeitado, no Brasil, se contrapõe na América do Sul, onde o camponês pernoita no banco da praça, no Chile, sem ser incomodado. 
   Como legitimar o hábito – de ver-se no outro? Através da Cultura, com menos de 1% do orçamento em seus três níveis públicos? Na estranheza de um livro, na escola, ou no clichê da televisão?

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