sexta-feira, 1 de maio de 2015

Desenho da Emoção.

Rosto que emerge em meus olhos fechados.

   Loira. Olhos azuis, ávidos por movimento, grandes e atentos, paralelos ao chão. Pele alva em rosto redondo, sobre pescoço altivo, com quadrante inferior esquerdo com rima bucal tensa, e superior com indagação, e já o superior direito com ternura complacente e inferior com boca semi-aberta. Testa alta com cachos caindo.

Rosto que emerge em meus olhos fechados - desnomeado (transfigurado).

   Rosto oval, à imagem dos seios. Com cabelos vermelhos em semelhança aos pelos pubianos, mas lisos. Lábios carnudos, envolvendo dentes alvos e grandes, abaixo de olhar fixo. Pescoço um pouco arqueado, grosso e tenso. Orelhas acima da linha dos olhos, onde certezas antigas viraram indagações atuais, circundadas por pele queimada onde sulcos denotam ambiguidades, ternas, vencidas. Nariz com vestíbulos abertos, ao possuírem o ar inalado. Boca semi-cerrada, com lábios obliterando-a.

Dar voz aos rostos.

   - Vi quem habita sua alma, onde ao lado quis minha morada fazer.
   - Coube a você decidir.
   - Mas, a você, ao sentimento obedecer.
   - A maciez de minhas intenções beijou de olhos fechados seu reticente sentimento.
   - Norteado por néctar caudaloso, que dá descanso ao rastejar de rapina, em meio ao deserto, até ali sem sombra.

Descrição do próprio rosto.

   Olhos paralelos ao chão, nariz vermelho e afilado. Testa alta e com dobras. Orelhas com lobos espichados. Sobrancelha como uma eira pouco protetora. Barba branca e preta, sem brilho. Cabelos grisalhos para brancos. Bigode espesso. Ponto hiperêmico entre as sobrancelhas. Pele branca com manchas.

Narrador – descrever o lugar imaginado.

   Há um lugar. É um lugar frio, onde corre um rio, em frente à casa. Sua água corre vagarosamente nesses dias, de sol, seguidos. Os peixes estão acima, no parque – passeio público, saboreando miolos de pão jogados.
   Abaixo está a estação rodo-ferroviária. À margem esquerda está um rosto à janela, com cabelos vermelhos. À margem direita está outro rosto com cabelhos negros cacheados.

Personagens – ação dos rostos, diálogo sem palavras.

   - Virá ela visitar-me?
   - Virá ele, desde sua margem espraiada a visitar-me?
   - A água estará fria pra ambos, mas há barranco do seu lado, o que limita a chance de minha travessia.
   - Cabe a mim atravessar, pois pulo facilmente o barranco e venço a praia do outro lado.

Desenho da Emoção – 1.

   - Vieram de metrô?
   - Sim. Eu chutei muito forte a bola.
   - Chegou à floresta?
   - Ela bateu na pedra.
   - Eles não chegaram, ainda, do shopping?
   - Vós, levardes ao hospital de brinquedos, pois a bola furou.
   - Vamos à igreja, padre, e lá, no estacionamento, joguemos.
   - Mas o prazer poderá ser quebrado.
   - Não pode ser perto dos carros.
   - Mas, murcha, ela não fará mal nenhum.
   - O sol se refletirá, em nossos olhos, dos vidros dos carros.
   - Dobremos os espelhos retrovisores.
   - O espaço é, patrimonial, dos pertences de cada família.
   - Caso suma, algo, nos incriminarão.
   - Vamos cantar dentro da igreja?
   - É melhor, vamos.

Desenho da Emoção - 2.

   - Vieram de metrô?
   - Sim, mas veja, eu chutei, muito forte, a bola.
   - Chegou à igreja?
   - Ela bateu na pedra.
   - Eles não chegaram, ainda, da igreja?
   - Vós levardes, ao hospital de brinquedos, a bola que furou.
   - Vamos ao shopping, padre, e lá, no estacionamento joguemos.
   - Mas o prazer poderá ser quebrado.
   - Não, se for longe dos carros.
   - Mas, murcha, ela não fará mal nenhum.
   - O sol se refletirá, em nossos olhos, dos vidros dos carros.
   - Dobremos os espelhos retrovisores.
   - O espaço é, patrimonial, dos pertences de cada visitante.
   - Caso suma, algo, nos incriminarão.
   - Vamos cantar dentro do shopping?
   - É melhor, vamos.

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