É importante para o escritor que ele tenha um reservatório de imagens míticas, conhecidas por todos, e que ele saiba sonhar com os olhos abertos. Vê-las como se fosse uma criança ou um extraterrestre, que saiba gravar, nessas imagens, suas vozes.
É importante sempre associar vozes e paisagens, até que ele consiga ouvir a voz humana, trancada dentro de um lago onde muitos mortos, de séculos atrás, se banharam. Trata-se de recuperar todas as vozes extintas, soterradas, hoje desconhecidas.
A voz de uma árvore, de um índio, de um andarilho, da criança que ele foi, surge se ele escavar com muita atenção, religiosamente, persistentemente, todas as vozes do mundo.
Para um bom escritor, antes de existir, as coisas devem falar, cada uma, com sua voz única. Todas as possibilidades de criar um grande romance, conto, cronica ou ensaio, dependem da capacidade que o escritor tem de imaginar e assim sonhar e recriar as vozes que foram perdidas, para que o leitor, ao ouvir, saiba que não está só.
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