terça-feira, 19 de maio de 2015

19. O Rio É a Solução.

   - O fim da tarde está próximo.
   - Tudo bem!
   - Amanhã você nascerá.
   - Eu esperarei dormindo.
   - A noite é a última que cairá sobre você.
   - Mas as estrelas estarão, lá no firmamento?
   - Sim. Só nosso mundo é que acabará.
   - O meu medo é que ele continuasse, não que ele acabasse.
   - As baratas continuarão, lá em baixo.
   - Os taxistas também?
   - Já estão, com essa carestia, morrendo de raiva. Vou pegar um agora.
   - É uma bandeira dois para o além?
   - Sim, tamanho preço a se pagar.
   - O infinito permanece?
   - Há infinitude, que permanece. Só nosso mundo chega ao fim.
   - Qual essência prevalecerá?
   - O buraco é negro e vencido será, lá em Sampa.
   - Há luminosidade em suas palavras.
   - Que elas ecoem, meu filho, em Santos, agência pra onde seu pai se transferirá em caso de bom termo, hoje.
   - Eu sou seu eco e repercuto você.
   - Dê-me suas mãos.
   - Elas serão suas, amanhã, quando eu nascer. Hoje servirão, escondidas da vista de terceiros, a sensibilizar a gerência de recursos humanos.
- Mas, se eu conseguir a tal transferência, aqui na matriz do banco, um renascer acontecerá, e nos daremos às mãos. Veja a pista, do Aeroporto Santos Dumont, que beleza. Mais ali fica o palácio, atrás dessa cortina de prédios, do Catete.
   - Essa turbulência fazia, do Electra ao líquido amniótico, ondas.
   - De São Paulo pra Santos também balançará, todavia, pela estrada velha de Santos, menos que pelo Caminho do Lorena.
   - Sim, mas a perda da vida intra-uterina, me fará ganhar o mundo exterior.
   - Bem vindo será, pois ao menos me tornará, assim, mais leve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário