domingo, 10 de maio de 2015

O Claro e o Escuro, de Castigo sob a Escada de Madeira.

DE CASTIGO SOB A ESCADA DE MADEIRA. 

   Por ter beijado minha prima, professora substituta - sob o jugo do Diretor Fuschini, este me deixou, ali de castigo, no retorno do recreio. 
   O ato desaprovado, por ele, se deu sobre o balcão de alvenaria da cantina, vencida a separação entre gêneros. 
   A Regina - sua filha, e o Gil - seu genro, decerto nunca se beijaram, quiçá até no rosto, ali, para evitar semelhante constrangimento.

O CLARO E O ESCURO.

   O guaru sai do canal. A maré é baixa. A comporta se abre.
   A água da chuva é, ocupante tal passagem, dali esvaída. O mar os recebe: a água salobra é doce perto daquela à frente, onde o guaru é curioso.
   O sol clareia. Há pedra e sombra. A correnteza domina, tira a onda, em seu caminho raso. As guelras se abrem, ali. Suas pequenas escamas se eriçam. Sua cor verde se mistura, ao tom mais tênue dali, harmoniosamente. É vazante o sentido.
   O costão rochoso aparece na ilha ao largo. Explosão de ondas de águas que até então se espraiavam, agora indóceis.
   Aprofundada água. A raia jamanta a ocupa, onde seu corpo imerso ondula. O guaru observa, imperceptível à gaivota que a tudo isso sobrevoa, que ali se nutre. As águas se equilibram, sem expandirem-se.
   O homem passa ao largo, em braçadas vigorosas. Uma corda se estica, de seu tornozelo à bóia. Um arpão singra da quase superfície ao fundo. O mero está, em ampliada forma, tentando sobreviver àquela certeza, de ser consumido em desejo de vitória.
   A bóia é puxada, para baixo, aos trancos. A arte da pesca sobressai à fome. Há clareza nos dentes que mastigam, onde escuridão é saciada.

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