Tiro projetado, liberta o cano do revolver, risca o céu, desfaz a fumaça, desloca o ar que queima: foi escutado em diálogo de morador de rua com policial, enquanto olhavam a água do canal 3, que refletia algo etéreo.
Morador de Rua - Combustão da vida, que não para.
Policial - Para no vácuo provocado, incombustível.
- Essa é a ponte, sob a qual eu moro, com trilhos do trem elétrico.
- Mais silenciosa e limpa, que da época à diesel?
- Sim!
- Como se sente? Invadido em sua casa?
Silenciosa e sem a fumaça, com os dormentes fixos em concreto, com trem movido à eletricidade em velocidade constante com os semáforos abertos à passagem.
- Sinto-me na rua de minha infância, na garupa de bicicleta.
- Sobre qual roda você ia?
- A detrás.
- Qual roda você admira?
- Aquela, do meio.
- Por que não é a da frente?
- Ela pega vento e fica entretida com o futuro, a detrás me remete ao passado, já a do meio à vida presente.
- Você enxerga em qual desastre está metido?
- Rompo o casulo, dessa sua crítica fundamentada.
- Eclodo borboleta, então, com suas asas assertivas.
Morador de Rua - Faça fotossíntese em folha, que me nutra enquanto lagarta.
Policial - Que meu ego de avenida caiba em sua rua de criança.
- Remo para singrar!
- O que esse trem faria!?
- O que esse trem faria!?
tecida em união
uma ponte de passarinhos –
Vega e Altair
uma ponte de passarinhos –
Vega e Altair
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