domingo, 5 de julho de 2015

43. Sentidos Desfraldados.

   Surpreende-se com sorriso nos lábios. Ao lembrar de seu amor, deixa-se ver enamorado, para o amigo, em água que reflete luz, com certo movimento, no canal 7.
   Amigo - A partilha acabou ou foi a tinta de sua caneta?
   Enamorado - Tampouco falta papel!
   - O que falta, então!?
   - Intuir nesse sentir, pra construir meu pensar!
   Em branco e azul chegam-lhe tais esboços soltos, mas de mãos dadas como papel e tinta.
   - Pinte, então.
   - Tão logo me desnude, depois de consolidar o pensar, pra sentir.
   - Desenhe tal universo, então, pra obter enxergar merecido.
   - Melhor alinhavar com abraços, meus pensamentos, depois de integrados sob o lençol, do que cerzi-los agora, se parecerem esgarçados e fugidios.
   Desfraldado imaginar de muitas cores, mesmo se desdenhado pelo sentir fascista, vitimado público, destratado por poderosos, ao sublimar o ego, ao emancipar umbigo, em imensurável querer cuidar, dos frutos imaturos.
   - Pororoca de um rio, chamado Atlântico, que murmure sob sua cama, em meio à festa, de vitoriosa paz, em seu lençol.
   - Enquanto isso o que é azul resplandece, rosa se levanta e cinza descansa.
   Olhar inspirador, o dela, aqui perceptível está, nesse enxergar generoso, em gozosa palavra grata por tal existir.
   - Flanar com crítica, transcende pássaro o seu ninho, ao bater asas.

suas belas asas pretas
como areias ondulam –
voa Pintassilgo

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