Fuligem - Sou nuvem, oriunda da queima, das folhas da cana de açúcar.
Nuvem de chuva - Tão longe da plantação!?
- Elevada nesse céu azul, seco e quente.
- Qual a velocidade, que você atinge?
- Aquela do vento.
- Elevada nesse céu azul, seco e quente.
- Qual a velocidade, que você atinge?
- Aquela do vento.
- Como você é recebida, ao perceberem o pouso de sua fuligem?
- Como a um moleque travesso, por repetidas vezes, à cada safra. Você também é uma nuvem escura, com a minha velocidade, tal qual do vento e, aparece, assim como eu nas mais prováveis estações.
Chego antes do outono e, por isso, molho a roupa no varal, mas sou tratada como filha predileta, pra testemunho do céu azul, este que terá, até então, pairado sobre nós – duas nuvens escuras.
- E você - nuvem branquinha, sempre vem aqui?
- Em sua ausência, sim, nuvem pretinha.
- Tal contraste é poético e, por isso, faça-se poesia ao comparecer, também, em dias carregados de chuva, minha branquinha.
- Qual o ganho, minha pretinha, com tal prestigiosa presença, a minha, em sua orquestrada tempestade?
- Poderá ver quanto os pássaros fogem, de minha chuva, coisa que você não faz – dar susto em passarinho.
- Em solitária presença - só minha, tantos pássaros alçam voo, mesmo debaixo de chuva.
- Eu queria aprender a voar com sua leveza, branquinha, ao descarregar toda água, pra poder praticar tal voo de passarinho, com você.
- Os passarinhos que comem insetos estão com fome, com a fumacinha que acaba com o mosquito do Dengue.
- Mas, essa fumacinha branca é, contra mosquito, leve como você, porém voa, livre, como pássaro?
- Inabitada, ao desengordurar as penas, que retém, por isso, a água da chuva – que você descarrega, e isso pesa, tirando dela seu voo.
- Então é você fumacinha, que ao penetrar nas asas do passarinho, oferece-lhe aos gatos, ao tirar a leveza pra voar?
- Somos nuvens branquinhas, mas, com conteúdos e qualidades diferentes.
Na água empoçada vê-se os contornos sombreados por algo que arremete ao céu.
diversão passageira –
Pé d’água apaga
pegadas na areia
Pé d’água apaga
pegadas na areia
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