quinta-feira, 2 de julho de 2015

38. Céu Espelha.

   Gavião - Você é minha testemunha.
   Poça d'água - Em que?
   - De minha performance, hoje, em voo.
   - Sim. Eu o refleti, mas agora estou vazia.
   - O passado me condena, se levado em conta voos havidos.
   - Sim.
   - Hoje poderia, refletir-me por mais tempo.
   - Você faria o que com tal imagem?
   - A filmaria, pra tê-la pra posteridade.
   - Sua imagem em mim era, até então, a de um pássaro caído do ninho.
   - Eu estou no encalço, com meu bico curvo, predador.
   - O ninho está em árvore, enquanto você está no chão gramado de experiências, mas sem asas, pra voar, suficientes.
  - Você espelha o meu céu, testemunha de minha habilidade e coragem.
   - Façamos uma aliança.
   - Qual?
   - Eu - poça dágua, refletirei o seu ninho, e formarei assim a sua casa.
  - Mas como eu habitarei essa minha nova casa, que me é oferecida?
  - Primeiro salvando-se do instinto de gavião, que o habita, ao constituir amizade com o sabiá-laranjeira.
   Como sublimar seu instinto!?
  - Você - sabiá-laranjeira, quer ser meu amigo? Ofereça seu conteúdo, a mim que habitará com você esse ninho. Mostre-me antes como voar com minhas asas, mas com suas qualidades.
   Sabiá-laranjeira - Eu serei você amanhã?
   - Como meu amigo, você – sabiá-laranjeira, estará com asas de gavião, bico entortado pra baixo e minhas qualidades de rapinador de ninhos.
   - Comerei os ovos, não eclodidos, de minha mãe?
   - Sim.
   - Torno-me seu conteúdo, gavião, mas se abrir mão de seu intento. Ofereço-me em sacrifício.
   - Amém. Nhac.

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