sábado, 16 de abril de 2016

Kafka Leitura.

Minha louça são meus dentes.
A língua a sua síndica. 
Céu da boca suas nuvens. 

Patente ação de carrasco, 
travestida em valorosa 
entrega do leite pátrio, 
nunca por 500 anos 
do povo que o ordenha. 
Dia-a-dia do patrão, 
este que derrama o leite 
confiado às suas mãos, 
pela nação usurpada. 

Garganta é a sua rua. 
Você uma paisagem. 
Voz o vento que açoita. 

Vê-se agora o bastidor, 
transformado em estrebaria, 
resgata cidadania, 
pela câmera à rua - 
à vista de todos, onde 
caminhante jornalista 
vocaciona o flagrante - 
postura de roubo tira 
o leite das mãos do povo. 

Nariz a sua marquise. 
Seu imposto à comida. 
Alegria sobremesa. 

Jogar ao chão - bel prazer, 
leite e povo derramados, 
ostensivamente são 
resgatados dignamente 
de um pasto só forçado - 
nação rica adubada, 
palco agora transformado 
em céu que existe em nós 
pra ser mais vivificado. 

Lágrimas à cachoeira. 
Cabelos uma floresta, 
numa kafka leitura. 

Ricardo Rutigliano Roque

- sobre a imagem: 
https://www.facebook.com/marco.santana.142/posts/1001926826528139?fref=nf&pnref=story ; 

- no blog: 
http://libertodesi.blogspot.com.br/2016/04/kafka-leitura.html?zx=77ab639ec4ce161 .

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