Minha louça são meus dentes.
A língua a sua síndica.
Céu da boca suas nuvens.
Patente ação de carrasco,
travestida em valorosa
entrega do leite pátrio,
nunca por 500 anos
do povo que o ordenha.
Dia-a-dia do patrão,
este que derrama o leite
confiado às suas mãos,
pela nação usurpada.
Garganta é a sua rua.
Você uma paisagem.
Voz o vento que açoita.
Vê-se agora o bastidor,
transformado em estrebaria,
resgata cidadania,
pela câmera à rua -
à vista de todos, onde
caminhante jornalista
vocaciona o flagrante -
postura de roubo tira
o leite das mãos do povo.
Nariz a sua marquise.
Seu imposto à comida.
Alegria sobremesa.
Jogar ao chão - bel prazer,
leite e povo derramados,
ostensivamente são
resgatados dignamente
de um pasto só forçado -
nação rica adubada,
palco agora transformado
em céu que existe em nós
pra ser mais vivificado.
Lágrimas à cachoeira.
Cabelos uma floresta,
numa kafka leitura.
Ricardo Rutigliano Roque
- sobre a imagem:
https://www.facebook.com/marco.santana.142/posts/1001926826528139?fref=nf&pnref=story ;
- no blog:
http://libertodesi.blogspot.com.br/2016/04/kafka-leitura.html?zx=77ab639ec4ce161 .
Nenhum comentário:
Postar um comentário