sábado, 16 de maio de 2015

18. A Terra.

Melhor cenário, todavia é,
substantiva persona maior,
relegada ao não cuidado.

A Terra se faz presente, ágora,
em seu próprio canto solo e deixa
um pouco de ser moldura.

Presente, a degradante política,
de seu ator humano enredado.
Do homem emerge, legítima.

Demanda ao tê-la, como cenário,
recebe o descaso que dela é.
Terra, dá uma sensação!

20 Perguntas Sobre o Livro que Estou Escrevendo, no Campo do Sentido (questionado).

1) O não dito (entrelinhas), pelo protagonista do livro, o torna coadjuvante de um alinhamento?
2) Há inadequação no coma? Ver “Johny Vai à Guerra” – filme.
3) O sentir ausente torna o refletir aprofundado?
4) A queda física é o elevar da alma?
5) O obstáculo instransponível do paralelepípedo, ali colocado pelo prefeito anterior, baliza o caminho?
6) À rua o que é da rua?
7) A visão interior supre a exterior, nela impressa?
8) Ouvir por 3 minutos a fala transeunte o faz solitário em ausente diálogo?
9) Estar a sete palmos acima de seu destino atrapalha o trânsito? Ler o livro, Egípicio, dos Mortos.
10) O figurista retratará, pro que foi ali chamado, a fisionomia cadavérica?
11) A mão estendida o afagará?
12) O vento mostrará uma direção àquele, ali, caído?
13) O pássaro alegrará o seu ouvir?
14) A água da poça despenteará os seus cabelos?
15) A madrugada começada o julgará em valores morais? Ler: “Genealogia da Moral” – Nietzsche.
16) Há um despertar, de quem, nesse sumir dos sentidos?
17) O pensar é, sem utilidade prática, uma ferramenta?
18) A arte impressa em si, está num beco sem saída?
19) Há dificuldade no pensar não coloquial ou no coloquial não pensado?
20) O quadro estará, que retratar esse moribundo, na galeria dos eleitos?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ENTORNO DO LIVRO.

Faixa ou Campo:

1) Observação da vida para julgar: quietude interior;
2) Persistência: o que assistiu – não o que sentiu;
3) Inadequação;
4) Silêncio.

O escritor relata o que assistiu, não o que sentiu.
Estilo é surto.
A crônica é o diário do livro que estou escrevendo:
- sim: se o estou escrevendo;
- não: o p.q. de estar bloqueado;
No mundo da quietude é que se escreve. Na parte da manhã há quietude, pois à noite é uma falsa quietude.
Cada vez começar do zero, todos os capítulos.
Luta contra o vazio: exercitar.
Um livro é a duração de 1 a 5 anos – da vida do escritor.
Inadequação é a faixa em que se escreve, num não talento à vida prática – é onde está a escrita.
Todo mundo é inimigo da obra artística.
O amigo é ninguém. É em quem o escritor se transforma: ninguém.
Sucesso vai na contramão, pois é a adequação.
Haldor Lexness – Quem é? Vencedor do prêmio Nobel, norueguês, após guerra. – “Ser esquecido após ser lembrado”.
O que busca o escritor? Amor.
O escritor é o centro.
X - - - - - X X X X
Transfere a seu personagem.
Na persistência fazer o filtro, no que aparece a ideia do livro, onde ocupará apenas 5% do livro.
Não existe o escritor, sem a fonte – colher dali.
Na evolução o que escrever será literatura.
Voltar para o oral - contar o seu romance, portanto gravar. Antes de escrever contar às crianças, que se ouvirem por 10 minutos, terão dado sinal de que é boa a escrita.
A vida é difícil, pois é grande a necessidade de persistência.
Diário. Por exemplo:
a) Escrever o primeiro capítulo;
b) Voltar ao prólogo. Para se colocar no lugar do próprio escritor – na sua infância.
É uma missão no Brasil, onde lê-se apenas coisas fáceis, portanto é arte – a escrita.
Esquecer a felicidade. Não participar da vida comum: afastar-se da vida comum. P.ex.: na festa, encostar-se à parede e observar – ficar fora dela.
Silêncio = não palavra. Falar de forma não usada.
Mergulhar naquilo que não sabe dizer. Escrever na forma que não foi dito, senão deixar de escrever.
Best-seller é a mesmíce – da mesma forma.
Tentar se aproximar da vida.
Inadequação se for, um dos profundamente, só.
Solidão dá o tempo necessário.
Só se escreve Literatura fora da literatura.
– onde ela não está?
- onde ela não alcança?
Em todos os lugares há refratariedade à Literatura.
O Brasil aceita o estrangeiro.
Dizer o que é: o menino, a vida, etc.
Ninguém sabe o que é o Brasil.
Tudo nega o que somos no Brasil.
A Literatura é a única coisa que mostra o que é o Brasil.
José de Alencar inventou o Brasil. Ele falou que somos o guarani.
Machado de Assis: diferença, tensão, ironia, entre o que somos e o que pensamos ser.
Somos brasileiros tentando ser europeu.
Guimarães Rosa: sertão, jagunços filósofos, que se conhece do Brasil: onde o vento bate, não na cidade.
O sonho não nega a realidade, mas a transforma.
1) Para onde o livro não vai?
2) Não negue a realidade, pois é um comentário.
Relatar é escrever na areia – é o que faz o brasileiro: escreve na areia.
A morte é gratuita na violência.
Literatura é contra a morte do alinhamento.
Para o poder não somos nada.
Pra vida somos algo.
Contra-Literatura - interessa:
a) Trransposição;
b) Deslocamento;
c) Transferência;
d) Metaforização;

a) Transposição: 
Por exemplo: o bastão que é passado de mão em mão, de cada personagem, é uma linguagem do esporte.
b) Deslocamento:
Ao seguir as regras – gênero: de homem para mulher e daí a bicho. Por exemplo: Joaquim Nabuco;
Buscar o impensável sem justificar.
c) Transferência: da química, onde um elemento transmite a um outro elemento. Por exemplo: o efeito do tiro aparece lá adiante, em outro personagem.
e) Metaforização: objeto que aparece no livro. Por exemplo: moedas que não valham nada, mas, transforma-o em alguém rico, e concomitantemente ele adquire câncer.
Imprime uma coisa interessante.
Visão científica é boa por isso.
Quanto mais imaginação mais metáfora.
Ética da Contra-Literatura.
a) Invisibilidade parcial – improvisação;
b) Autonomia;
c) Quietude versus energia do entusiasmo;
d) Imaginação como arquitetura da intuição e vice-versa.
Observação: O NÃO DITO É O QUE ESTÁ NAS ENTRELINHAS DA ESCRITA.

a) Invisibilidade: não aparece tanto o escritor.
Improvisação é importante.
b) Autonomia: não depender tanto da editora. P.ex. editar o seu livro
c) Quietude: não falar o que está fazendo. O não falar dá energia. Não fale – faça. Fazer com entusiasmo e alegria.
d) Imaginação: é da mesma fonte da intuição – sonhar de olhos abertos.
Recomenda ler: “Genealogia da Moral” – Nietzsche.

domingo, 10 de maio de 2015

O Claro e o Escuro, de Castigo sob a Escada de Madeira.

DE CASTIGO SOB A ESCADA DE MADEIRA. 

   Por ter beijado minha prima, professora substituta - sob o jugo do Diretor Fuschini, este me deixou, ali de castigo, no retorno do recreio. 
   O ato desaprovado, por ele, se deu sobre o balcão de alvenaria da cantina, vencida a separação entre gêneros. 
   A Regina - sua filha, e o Gil - seu genro, decerto nunca se beijaram, quiçá até no rosto, ali, para evitar semelhante constrangimento.

O CLARO E O ESCURO.

   O guaru sai do canal. A maré é baixa. A comporta se abre.
   A água da chuva é, ocupante tal passagem, dali esvaída. O mar os recebe: a água salobra é doce perto daquela à frente, onde o guaru é curioso.
   O sol clareia. Há pedra e sombra. A correnteza domina, tira a onda, em seu caminho raso. As guelras se abrem, ali. Suas pequenas escamas se eriçam. Sua cor verde se mistura, ao tom mais tênue dali, harmoniosamente. É vazante o sentido.
   O costão rochoso aparece na ilha ao largo. Explosão de ondas de águas que até então se espraiavam, agora indóceis.
   Aprofundada água. A raia jamanta a ocupa, onde seu corpo imerso ondula. O guaru observa, imperceptível à gaivota que a tudo isso sobrevoa, que ali se nutre. As águas se equilibram, sem expandirem-se.
   O homem passa ao largo, em braçadas vigorosas. Uma corda se estica, de seu tornozelo à bóia. Um arpão singra da quase superfície ao fundo. O mero está, em ampliada forma, tentando sobreviver àquela certeza, de ser consumido em desejo de vitória.
   A bóia é puxada, para baixo, aos trancos. A arte da pesca sobressai à fome. Há clareza nos dentes que mastigam, onde escuridão é saciada.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Literatura do Século XXI.

   Há excesso de mundo em direção à intimidade, o que é massacrante, e o que falta é intimismo em direção ao mundo.
   A literatura do século XXI forma mosaico, escrevinhador, sem o antagonismo entre personagens - encontradiço na literatura do século XX, porém como aquela ainda é pouco lida, o mundo atual ficará luminoso, em uma onda propagada pelo leitor, mas tarda em chegar.
   Acelero meu beijo no sentimento do mundo, com vagar. 
Ricardo - aluno, em mosaico de aulas da oficina "Como Escrever Um Livro", revendo as aulas do Marcelo Ariel.

Enredo.

Temas /               Zonas           / Ação /      Ritmo / 
< --- > / Esfera clara e escura / @      /       < --- 
                                                                       --- >

Narrar / Acontecer

Pública < ---Privada--- > Íntima

Escolher (pensado) o tema ou ser escolhido (sonhado)

Esferas:

Íntima = interior ( mais necessário atualmente)

Privada

Pública = massacre

Íntima: perguntas / pra quem, eu sou, etc.

P. Ex. Clarice Lispector 

Mundo: escrito sobre o auto-conhecimento, aplicado no mundo

P.Ex.: Guimarães Rosa – médico, em percepção de seu não saber o nome dos passarinhos 

Um bom tema tira o sono

A primeira voz aparece no primeiro livro, em tema que invada a sua esfera íntima

Segundo e terceiros livros: o íntimo invade o mundo

“O Mundo das Formigas – Master Linck

O tema não pode ser maior que o escritor

P.Ex. China – é muito grande, portanto é melhor sobre a sua rua, pois torna-se verídico, por ser de seu conhecimento, então não soará falso

Tema = lugar

“Meus Lugares Escuros” – James Leroy, e “Dália Negra”

Zonas

Escura = inconsciente, gratuidade, pulsão, inspiração

Clara = pensada

Reconhecer em seu livro o que é inconsciente, o que não é pensado = aparece no livro sem pensar = acaso, sem ser loteria, ir, deliberadamente, lá da zona escura

Ir até o inferno, onde não quero ir

O que me perturba muito?

Procurar o terror

Fontes da esfera íntima: desejo de matar, a sombra, a base do edifício, inconsciente propriamente dito, é à partir daí, o que eu perdi

“O Jogador” - Dostoyevsck 

Zona Clara = pensamento

“O Poder do Mito” – legendado (ver)

Amor é o lado luminoso, 

É o mundo das ideias

Escuro é das memórias que eu não quero lembrar

Em que momento que a zona ecsura pode matar?

Em que momento a zona clara gera amor?

Ler “Ciorano” (Cyrano?)

Exercícios:

Narrrar ( descrever) algo que acontece:

No fundo do mar: água, movimento da água, (zona escura)

Em algum lugar da escola, que aconteça fora da sala de aula, que tenha acontecido com você, sob a ótica de terceiro (merendeira, servente, inspetora, etc.)

Escrever uma carta para si e enviar pelo correio, pra si mesmo.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Desenho da Emoção.

Rosto que emerge em meus olhos fechados.

   Loira. Olhos azuis, ávidos por movimento, grandes e atentos, paralelos ao chão. Pele alva em rosto redondo, sobre pescoço altivo, com quadrante inferior esquerdo com rima bucal tensa, e superior com indagação, e já o superior direito com ternura complacente e inferior com boca semi-aberta. Testa alta com cachos caindo.

Rosto que emerge em meus olhos fechados - desnomeado (transfigurado).

   Rosto oval, à imagem dos seios. Com cabelos vermelhos em semelhança aos pelos pubianos, mas lisos. Lábios carnudos, envolvendo dentes alvos e grandes, abaixo de olhar fixo. Pescoço um pouco arqueado, grosso e tenso. Orelhas acima da linha dos olhos, onde certezas antigas viraram indagações atuais, circundadas por pele queimada onde sulcos denotam ambiguidades, ternas, vencidas. Nariz com vestíbulos abertos, ao possuírem o ar inalado. Boca semi-cerrada, com lábios obliterando-a.

Dar voz aos rostos.

   - Vi quem habita sua alma, onde ao lado quis minha morada fazer.
   - Coube a você decidir.
   - Mas, a você, ao sentimento obedecer.
   - A maciez de minhas intenções beijou de olhos fechados seu reticente sentimento.
   - Norteado por néctar caudaloso, que dá descanso ao rastejar de rapina, em meio ao deserto, até ali sem sombra.

Descrição do próprio rosto.

   Olhos paralelos ao chão, nariz vermelho e afilado. Testa alta e com dobras. Orelhas com lobos espichados. Sobrancelha como uma eira pouco protetora. Barba branca e preta, sem brilho. Cabelos grisalhos para brancos. Bigode espesso. Ponto hiperêmico entre as sobrancelhas. Pele branca com manchas.

Narrador – descrever o lugar imaginado.

   Há um lugar. É um lugar frio, onde corre um rio, em frente à casa. Sua água corre vagarosamente nesses dias, de sol, seguidos. Os peixes estão acima, no parque – passeio público, saboreando miolos de pão jogados.
   Abaixo está a estação rodo-ferroviária. À margem esquerda está um rosto à janela, com cabelos vermelhos. À margem direita está outro rosto com cabelhos negros cacheados.

Personagens – ação dos rostos, diálogo sem palavras.

   - Virá ela visitar-me?
   - Virá ele, desde sua margem espraiada a visitar-me?
   - A água estará fria pra ambos, mas há barranco do seu lado, o que limita a chance de minha travessia.
   - Cabe a mim atravessar, pois pulo facilmente o barranco e venço a praia do outro lado.

Desenho da Emoção – 1.

   - Vieram de metrô?
   - Sim. Eu chutei muito forte a bola.
   - Chegou à floresta?
   - Ela bateu na pedra.
   - Eles não chegaram, ainda, do shopping?
   - Vós, levardes ao hospital de brinquedos, pois a bola furou.
   - Vamos à igreja, padre, e lá, no estacionamento, joguemos.
   - Mas o prazer poderá ser quebrado.
   - Não pode ser perto dos carros.
   - Mas, murcha, ela não fará mal nenhum.
   - O sol se refletirá, em nossos olhos, dos vidros dos carros.
   - Dobremos os espelhos retrovisores.
   - O espaço é, patrimonial, dos pertences de cada família.
   - Caso suma, algo, nos incriminarão.
   - Vamos cantar dentro da igreja?
   - É melhor, vamos.

Desenho da Emoção - 2.

   - Vieram de metrô?
   - Sim, mas veja, eu chutei, muito forte, a bola.
   - Chegou à igreja?
   - Ela bateu na pedra.
   - Eles não chegaram, ainda, da igreja?
   - Vós levardes, ao hospital de brinquedos, a bola que furou.
   - Vamos ao shopping, padre, e lá, no estacionamento joguemos.
   - Mas o prazer poderá ser quebrado.
   - Não, se for longe dos carros.
   - Mas, murcha, ela não fará mal nenhum.
   - O sol se refletirá, em nossos olhos, dos vidros dos carros.
   - Dobremos os espelhos retrovisores.
   - O espaço é, patrimonial, dos pertences de cada visitante.
   - Caso suma, algo, nos incriminarão.
   - Vamos cantar dentro do shopping?
   - É melhor, vamos.