sábado, 28 de março de 2015

6. Que nuvem...

   - Você sempre vem aqui, nuvem branquinha?
   - Na sua ausência, sim, nuvem pretinha.
   - O contraste é poético e, por isso, faça-se poesia comparecendo em dias carregados de chuva, minha branquinha.
   - Qual o ganho, minha pretinha, com tal prestigiosa presença, minha, em sua orquestrada tempestade?
   - Poderá ver quanto os pássaros fogem, de minha chuva, coisa que você não faz – assustar os passarinhos...
   - Em minha presença suas asas são secas, pra alçarem voo mesmo na chuva.
   - Eu queria aprender a voar com sua leveza, branquinha e, depois de descarregar toda água, poder praticar, tal voo de passarinho, com você.
   - Os passarinhos que comem insetos estão com fome, com a fumacinha contra o mosquito da dengue.
   - ... Mas, essa fumacinha branca - contra mosquito, não é leve como você e voa, livre, com os pássaros?
   - Ela desengordura suas penas, que retém, por isso, a água da chuva – que você descarrega, e isso pesa, tirando dela a “voabilidade”.
   - Então você branquinha, ao penetrar nas asas do passarinho, tira dele sua maior qualidade – leveza pra voar?
   - Somos nuvens branquinhas, mas, com conteúdos e qualidades diferentes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário