- Você sempre vem aqui, nuvem branquinha?
- Na sua ausência, sim, nuvem pretinha.
- O contraste é poético e, por isso, faça-se poesia
comparecendo em dias carregados de chuva, minha branquinha.
- Qual o ganho, minha pretinha, com tal prestigiosa
presença, minha, em sua orquestrada tempestade?
- Poderá ver quanto os pássaros fogem, de minha
chuva, coisa que você não faz – assustar os passarinhos...
- Em minha presença suas asas são secas, pra alçarem
voo mesmo na chuva.
- Eu queria aprender a voar com sua leveza,
branquinha e, depois de descarregar toda água, poder praticar, tal voo de
passarinho, com você.
- Os passarinhos que comem insetos estão com fome,
com a fumacinha contra o mosquito da dengue.
- ... Mas, essa fumacinha branca - contra mosquito,
não é leve como você e voa, livre, com os pássaros?
- Ela desengordura suas penas, que retém, por isso, a
água da chuva – que você descarrega, e isso pesa, tirando dela a “voabilidade”.
- Então você branquinha, ao penetrar nas asas do
passarinho, tira dele sua maior qualidade – leveza pra voar?
- Somos nuvens branquinhas, mas, com conteúdos e qualidades diferentes.
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