quarta-feira, 20 de abril de 2016

7ª. Nostalgia de Tarkovski (*) - Ode à Dilma.

A moleca no fim dos tempos -
da casa, das termas, da rua,
reflete dramaticidade
controvérsia apenas presente.

À luz de vela caminhante,
apaga trágico pulsar,
atravessa toda água
sem um simples balbuciar.

Abandono perpetrado,
aberta - rompida importa,
descamba ao falar ao vento,
acerta - atada ao sol.

* Exercício, do "Laboratório de Poética" - Marcelo Ariel, de 18 de abril de 2016 –
sensações advindas das palavras – sem citá-las: silêncio, Deus, humanidade, amor, corpo, mundo, mãe, pátria e saudade, na sessão cinematográfica de: “Nostalgia” de Tarkovski - que traduz a 7ª Sinfonia de Bethoven - https://www.youtube.com/watch?v=C6_kBg3_g10 .

domingo, 17 de abril de 2016

Em Perequê.

Perequê é essa praia
que visita o seu querer 
em luzes que iluminam 
meninice tão pesqueira. 

O Canal da Barra Grande 
lá da branca fortaleza- 
fica atrás de suas casas, 
pescador-mar, mulher-vento. 

A esmerada pesca havida 
é mostrada ao visitante - 
tanto sabor estimula 
seu comer ao petiscar. 

É como casa de praia 
quando você se assenta 
numa rede costurada - 
montada como anzol. 

Pescador é corajoso 
pesca no mar que é bravio, 
seus guiados dedos nós, 
encurvados, sal ao sol. 

Ricardo Rutigliano Roque - 

sábado, 16 de abril de 2016

Kafka Leitura.

Minha louça são meus dentes.
A língua a sua síndica. 
Céu da boca suas nuvens. 

Patente ação de carrasco, 
travestida em valorosa 
entrega do leite pátrio, 
nunca por 500 anos 
do povo que o ordenha. 
Dia-a-dia do patrão, 
este que derrama o leite 
confiado às suas mãos, 
pela nação usurpada. 

Garganta é a sua rua. 
Você uma paisagem. 
Voz o vento que açoita. 

Vê-se agora o bastidor, 
transformado em estrebaria, 
resgata cidadania, 
pela câmera à rua - 
à vista de todos, onde 
caminhante jornalista 
vocaciona o flagrante - 
postura de roubo tira 
o leite das mãos do povo. 

Nariz a sua marquise. 
Seu imposto à comida. 
Alegria sobremesa. 

Jogar ao chão - bel prazer, 
leite e povo derramados, 
ostensivamente são 
resgatados dignamente 
de um pasto só forçado - 
nação rica adubada, 
palco agora transformado 
em céu que existe em nós 
pra ser mais vivificado. 

Lágrimas à cachoeira. 
Cabelos uma floresta, 
numa kafka leitura. 

Ricardo Rutigliano Roque

- sobre a imagem: 
https://www.facebook.com/marco.santana.142/posts/1001926826528139?fref=nf&pnref=story ; 

- no blog: 
http://libertodesi.blogspot.com.br/2016/04/kafka-leitura.html?zx=77ab639ec4ce161 .

sexta-feira, 15 de abril de 2016

domingo, 10 de abril de 2016

Remar e Apedrejar.


Se o êxtase imobiliza, 
tanto mulher quanto pescador, 
isso faz superfície rasgares, 
movimentares o renascido 
tempo presente do paraíso - 
que se desfaz a todo instante, 
ao remares ou jogares pedra, 
sim, refletes azul infinito.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Barco em Haicai.

Em bucólica paisagem 
forte correnteza -
Barco no mar liso.

Ricardo Rutigliano Roque.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Atlântica Desembocadura, Rumo ao Barco Vizinho – 150 anos de Vicente de Carvalho.

Fica em digna postura -
pra sua alma irreprimível 
remar mais do que é seu barco. 

Há ousadia da maré 
endereçada aos ouvintes 
dentre eles está você. 

Pluvial água - percepção menino, 
nesse fluxo está ao adentrar 
no canal do estuário, longe perto - 
manobra exótica como a sua, 
veia para navegação do que há, 
ao passar pelo deck dos sentidos. 
Até umedece a aridez - 
areia em próxima praia palmilha. 

Disponíveis recortes mimos, 
remados pelo seu barqueiro 
insubmisso aos navegantes. 

Dá leitura aos cem barcos nus, 
pra presenciar oceano - 
sentir entregue ao olhar.

Menina em salobra mistura há, 
acalentado peixinho guarú, 
esta evocação de limite – mar, 
circunscrito nesse avizinhamento, 
mas, em maré vazante vai até 
se distanciar na conquista d’água 
oceânica encoberta em brumas, 
em vazantes e enchentes - você. 

Percepção há de haver que 
transcreva antologia imersa 
na ausência de alguns sabores. 

Já que você é homenagem, 
em alquimia à transformar 
versos naquela maresia. 

Quebrasse inércia, Vicente de Carvalho - 
de pé - fronte à dureza, jardim fomenta, 
ladeado em aconchego de uns traços 
benedictino-calixtos em suas águas, 
mar - por ambos assistido, é atlântica 
desembocadura – no céu, são lonjuras. 

Mediante minha leitura, 
que na rede eu sirvo a todos - 
aos pressupostos mais nadantes. 

Fechem essa minha janela 
à nossa não cumplicidade 
pra que a lua não a espie.