sexta-feira, 16 de outubro de 2015

“A Palavra” Assistida.

   - Mediada por Carl Dreyer? 
   - No filme dele eu sei, só de olhar, quem é bom.
   - Então você é ungido? 
   - Não! É o meu desejo de fazer o mundo voltar a ser criança pra prevalecer, assim, longe de adulto doente, a verdade.
   - Mas a criança é alvo de brincadeira, prazerosa até os 10 anos de vida, e ainda impúbere, mais próxima da adolescência, em forma de jogo com regra, isto por ela exigida e a ela oferecida em manifesta aventura com segurança sob olhar sutil do adulto. 
   (Silêncio).
   - É! Não dá, nesse filme, pra esquecer o que o adulto já agregou ao mundo. 
   - Há deslocamento da voz celeste, em ritmo de quem é privado do sono, ao tentar se impor antes da voz humana – binômio gestante-concepto, e ao atropelar a voz terrana – sentir e pensar, de vida ritmada na prática. 
   - A voz humanizada dos enamorados, jovens, traduz colheita, semeada na delicadeza, mas que negligencia a semeadura terrana – ausenta o jovem da plantação.
   - Compelidos enamorados, à tal, por aquele que não dá ponto sem nó, moral, na busca da submissão que obsta o que é natural – relação homem-mulher. 
   - Ao final a voz celeste se une à voz infantil, pra resgate da voz humana, antes perdida por desproporção céfalo-pélvica, agora cantada em beijo, erotizado e silencioso. Outra voz é, a terrana, resgatada na aceitação de sua existência, após alinhavo em sua fração moral, pensada, para deleite de sua porção sentida, na entrega da mão da filha, pra manutenção da lavoura humana. 
   - O diálogo tornou a voz celeste harmonizada, ao ritmo da regência humana e terrana.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Não Michou o Carbureto.

Há no sopé da colina
o curió, da menina, 
com seu canto angustiado.

Em seu manto partilhado
há um rio amalgamado,
por menino, à convite.

No destino bom alvitre,
um marulho – repinique,
partícula no cabelo.

Gotícula em seu pelo.
Vive liberto ao sê-lo,
Sol de pé, lá na esquina.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Criança.

O sentir criança é simples-esquina,
virada-rua, caminhar contra-mão.

Cuida do anzol, que pesca em água rasa, 
enganchado em profundeza de seu ser.

À beira da ponte-saber, do limite,
vazio-precipício do horizonte além.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Após Apito há Pedra.

A pedreira já avisa -
explosivo está aceso.
Pedra lá substitui
o silenciado sono.

Sorrir não interrompido
no aconchegado colo.
Berço vazio do bebê,
que em braços de mãe, descansa.

Frágil lembrança que assalta,
sentir alongado ao chão.
Tempo pro corpo, bem dito,
que aponta o alinhado céu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

“Infelizmente para Mim”.

Não resisti ao infame.
Mereço agora esse açoite,
de sua língua que fala.

Há emoção no silêncio,
demonstrada generosa,
ao sentir de um vulcão,
no compartilhado tempo.

Há vento em chama de vela –
palavra falada ao ser,
Lampedusa em Godard.

Ao desarquivá-la à tempo,
sinergia do caminho,
se converte o criativo
ser do tempo ao espaço.

Água é que me refresca,
nesse mar que me condensa.
Braços nadam, lá, abraçam.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Voo do Acaso.

Respira o mesmo aroma,
que se perca você nele.
Ausente à deixa assim.
Nutra um toque presença.

Avião a poupa apenas agora.
À máquina atenção não precisa.
Volta-se à passageira vizinha.
Muda o sentir ao sair dali só.

Sua festa será só amanhã.
Chega antes, pra vê-la, como queira.
Sentir tal distância a trará pura.
Sentimento, que saudade, a faz.

Cria asas, mas não as bata não,
se próximo a seu objetivo.
Chega devagar, à alma destino,
ombros baixos sinalizam, há paz.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Paranapuã?

Encontra o litorâneo limo,
sentimento tão puro, preservado.
Vento emaranhado -
estou no vazio.

Xingada Xixová até há -
notável frescor agora achado.
Brincante és peixe -
mel fluído em ti.

Maré em ondas – onde estará?
Retida - direção reservada.
Ele terremoto,
ausência engolida.

Resiste risonhamente só,
em estatura emancipada.
Nós – imersas ondas,
apicais dispersas.

Imortalizada - agora indígena,
errática está, empedrada.
Livre arco-íris,
presente em vós.

Aporta, ancora essa aldeia,
na rara praia rehabitada.
Eles só amalgamam
em Sol que derreta.