quarta-feira, 9 de setembro de 2015

AO PROFESSOR, quiçá ao MILITAR e outros - abre-se aqui um parêntese.

   Nexo causal é, da "Síndrome do Avental", quiçá da farda e outros, o não reconhecimento pessoal, em seus trabalhos. Mais encontradiço em professor, quiçá em militar e outros, quando do não reconhecimento seu, profissional, em atividade que projete seu nome. Coisa contornada com atividade que o projete - literatura por exemplo, além do serviço público com baixo honorário e tensão por resultados - relatórios à diretoria, em detrimento ao aproveitamento - à orientadora pedagógica.
   Criminalizar alguém enfermo - com essa doença profissional, é crime contra a humanidade. Sinto muito, eventual impulso moral, tão destituído de relativismo humanístico.
   Por isso será melhor questionar uma não colocação de nome, de cada um, em sua obra literária - heterônimo. É o que me parece.

domingo, 6 de setembro de 2015

Esquadrinho a Infância.

Na manhã desperto,
igual voa Lála,
com teia desfeita
onde aranha abraça.

Há Cultura pisada, no palco,
em madeira da cruz com seu crivo.

Do galo ti-ti-ca
passo em meu rosto
pra crescer a barba
que assim é nutrida.

Antipatia com sua vítima,
de cruz e torno – tão secular.

Do sonho desgarro,
pra vida acordo
lembrança me traz
saudade vó Dinda.

Há pregos torneados virados
em direção contrária à sensível.

Mágico Mandrake -
na infância minha,
não brinca sozinho,
tem o seu Lotar.

sábado, 5 de setembro de 2015

Um Toco Sozinho.

Navega agora
pensa, não luta,
firma, flutua,
certo oscila.

Pouso de pássaro,
sombra pro peixe,
quebra de hélice,
enrosco de linha.

Em seu buraco 
chanfrado há
limo avistado
esverdeado.

Ranhuras tem,
nós de seus galhos,
voz em seus cortes
é evocada.

A maré traz
toco sozinho,
pra trás deixado
seu flutuar.

Quanto brincar
irá gozar?
Quantas as vezes
irá rolar?

Quantas braçadas
náuticas nadam
impulsionadas?
Mão as escolhe.

À praia aporta -
por ondas vem,
seu dizer na areia
água apaga.

Qual a mensagem
que árvore manda?
Braço levanta -
cadê o remo?

Meu braço galho,
crâneo semente,
cabelo folha,
ideia ninho.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Dia, em “Cartas Celestes Nº8 - Oré-Jacy Tatá” de Almeida Prado.

O dia me é uma boa manhã ensolarada
na praia hoje com pequeno ao chão,
tão pequeno fui, a memória praia me acompanha
no baixar de cabeça pequeno foco [(1*) 0’11”]

Concretude norte abstraída
intrépido poema num querido convívio,
como me atrai contraste semente
praia útero onde pequenos criam. [(2*) 6’46”] 

Sinto a força com pequeno aos braços
e na volta caminhante do só trabalho
na areia fofa e peso às costas –
qual o que, leveza sustentável. [(3*) 12’04”]

Demarcadas em pegadas na maciez de suas areias,
nuances vivenciam um querer estímulo
ator e cenário fundem contemporâneo e passado
longe do anacronismo o amanhã. [(4*) 18’50”] 

Todavia me é bom anoitecer enluarado,
mesmo só retorno elas em mim virão -
memórias erguidas, enquanto 
olhar o ainda distante horizonte. [(5*) 23’18”]

* Inserções 1-5, de dizeres poéticos autorais, nos instantes musicais grafados - do vídeo:

Encontro, em 19 "Noturnos de Frédéric Chopin".

Um encontro pode estar no calor,
do sempre compartilhado leite materno. [(1*) 0’]

No frescor da água buscada na fonte,
nas pegadas de um passado. [(2*) 5’26”]

Na verdade presente ou
num porvir incerto. [(3*) 9’52”]

Numa racionalidade que nos redima
da ignorância de tantos saberes. [(4*) 16’40”]

Nun encher de esperança
as brincadeiras de uma criança. [(5*) 18’06”]

Na deferência da simples presença -
brinde ao determinismo biológico, que nos una. [(6*) 19’07”]

Num intimismo que traduza o universo de cada um ou
num drama grosseiro, para o bem de uma literatura maior. [(7m*) 21’]

Mais importante que a própria realidade, o seu duro relato, na afirmação da pura existência. [(8*) 24’56”]

No mimetizar de obra do padre Vieira,
naquilo que também há deixado de dizer. [(9*) 30’00”]

No toque de alguém sinestésico ou
olhar de alguém visual. [(10*) 35’35”]

Nas palavras de outro ou
audição de outrem - mais cognitivos. [(11*) 41’50”]

Na tristeza de um até logo,
para além de uma exigente convenção. [(12*) 46’30”]

No relato de um escriba ou
receita de um curandeiro. [(13*) 52’17”]

No carregar poeira de um viajante,
sob o céu de um sonhador. [(14*) 58’36”]

Sob os ângulos das estrelas,
medidos por um menino. [(15*) 1h 05’28”]

Para ginástica humana de
sua professora, num apenas retorno às origens. [(16*) 1h 11’ 20”]

Na degustação de uma mesma pizza
de duas cozinhas. [(17*) 1h 18’ 37”]

No sorver de um champanhe com
um gosto de vinho tinto e seco. [(18*) 1h 24’ 18”]

Sob a mesa apoiada em argila,
numa insistência em nos separar. [(19*) 1h 30’ 07”]

Na subterrânea e pura água guarani,
no silêncio incontido de uma reflexão. [(20*) 1h 36’ 55”]

Que traduza uma gota de suor que esconda a lágrima e
reflita o orvalho em meio â seca. [(21*) 1h 42’ 14”]

Num mastigar que reprima o sorriso
e recubra uma plenitude de alma,
mas numa abordagem poética,
que pare o tempo. [(22*) 1h 46’ 47”]

* Inserções 1-22, de dizeres poéticos autorais, nos instantes musicais grafados - do vídeo:

domingo, 30 de agosto de 2015

Futuro em Botão.

Pra rosa em botão
são dadas às costas
pela rosa em galho.
Em sua leveza
almeja futuro.

Naquele jardim
onde gotas rolam,
de orvalho ou dor,
no desdém havido
entre alguns espinhos.

Espinhos que nascem
nesse roseiral,
em meio ao que escorre
da seiva da rosa –
caminho, sabor.

sábado, 29 de agosto de 2015

Porca e Inútil Fotonovela – Ágora dos Bichos (em fotos).

Porca e Inútil Fotonovela – Ágora dos Bichos. 

(Ricardo Rutigliano Roque)


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=982175491840692&set=pcb.982176301840611&type=1&theater 



Porco de coleira passeia,
nas areias da praia, nu. (porco)

Gonzaguinha, defronte ao Gáudio –
aquele prédio com abrigo
anti-aéreo em seu restaurante. (paisagem)

Anacronia com moderno –
passeio de suíno e dono,
mas sem a guia em suas patas. (porco)

casa às escuras -
em busca do par,
Inseto Cantador?
O racional irá parar
assim, está desatrelado!? (dono)

Porco invade a nossa praia!
Porco quebra e peixe brinca.
Porco e peixe: vivo aroma! (porco e peixe)

Porco come peixe em areia -
encontro sem guia, sem rede.
Ah, vá; sinto muito, né, peixe!? (porco e peixe)