Isca Viva.
A linhada se enrosca
nas pedras à beira mar.
O peixe não sairá
de seu azul acolhedor.
O anzol será cognitivo -
a isca ao sol se esquenta,
seu cheiro seiva a vida.
A água flui pra lá,
oscila no horizonte,
lá – onde o ar mergulha,
lá – onde o mar espia,
lá – onde o peixe só nada,
lá – onde há pedras profundas,
em seu profundo estar.
Na Pia.
Água jorra onde menos se espera -
alisa a beirada do abismo,
pelas mãos do cura também batiza,
no choro da criança que esperneia
respinga no padrinho que sorri.
Numa parede lá da sacristia,
na fala úmida que se faz ouvir,
sai igual enxurrada, de pessoas,
até chegar perto do paraíso -
na pia batismal que me habita.
Baleia.
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