Ricardo Rutigliano Roque: Em Santos, Catando Guaru - contos, livro classificado no Facult de Santos - 2011 (inédito); Fortaleza da Barra Grande - prosa, Poesia à Rua, Caiçara em Haicai, Uma Chama Atlântica, Da Mata Atlântica ao Neruda e Pescador Caiçara Conversa com Saturnino de Brito - poesias, (publicados / Caiçara Catadora de Capa Artesanal) 2013-4; Mar Selvagem - romance, classificado no Prêmio SESC de Literatura - 2015 (inédito).
Cidade – Antologia de Poetas.
Em sua fluída vida.
Sem querer pressioná-la,
pois anda tão calada,
pra não atrapalhá-la -
seu silêncio rompe esse
irresistir confesso.
Casa às escuras -
em busca do par,
Inseto Cantador?
A sua impertinência
em expectante aguardo,
dentro de natural
interesse poético,
no lançamento de
antologia, vista.
Perfume aconchega
o encontro dos poetas -
Cravo vermelho.
Indígena.
I nsólita
N ação
D iversificada:
I ncendeia
G raveto
E negrecido –
N eon
A borrecido.
Presente-Ausente.
Torço por sua existência,
ativa amorização,
encontro-a natureza.
Evocada noite escura.
Paladar que amo,
transcende o querer,
audição do sonho.
Que amanheça clara.
Enxergo-a água –
fruído sentir,
presente-ausente.
Longe de entardecida.
Aromatizada,
traduzida em verbo –
sentimento vai.
Guardada no infinito.
Além do relicário –
está pulsante lá,
pisando a areia.
Carta ao Fogo Amigo.
Ajoelhar-se
é tão indigno:
passaralho, com o passarinho!
É comezinho
minimalista:
recatado paneleiro, com o passarinho!
A maioria
simples agora:
só pau de galinheiro, contra o passarinho!
Prisão-terror -
sem mulheres,
liberta-amor - minoria passarinho!
O adversário pisa no pé
do menino brasileiro, que cai -
pula pra safar-se, compleição leve,
mas o comentarista quer trator
machão que se machuque - com seu sangue,
pra provar que não simula no jogo.
Não passarão
privilégios às custas
de direito do passarinho!
Você só chora
a lágrima que fica:
paz enganadora, com o passarinho!
Muda produto -
decretos são grãos,
não sobram pro passarinho!
O poder frio
corta a água:
bananice, com o passarinho!
Futebol que dava vez ao atleta -
franzino brasileiro, mas tv
dá voz ao comentarista machão -
jogador aposentado pesado,
que desce sarrafo em seu atacante -
do futebol, arte malevolente.
Momento Cocoon -
babando desesperadamente,
em busca do passarinho!
Quebrar o braço
sem aprender:
haver-se com o passarinho!
Pernaltamente
passadas ganhas -
entregocracia, com o que é do passarinho!
Sem corrimão
tombo é certo:
rolocracia, junto ao passarinho!
Ao dizer: futebol moderno é
o europeu, pra brutamontes, faz
o favor se colocar o seu filho
sob supervisão de mãe zelosa,
diferente de sargentona,
pra fugir do fogo amigo - no céu!
Status quo -
interino, não representa
o passarinho!
Imposta regra -
estais lá ou estáis cá,
com o passarinho!
Dito adeus –
logo responde:
você é passarinho!?
Achaque da solidariedade,
sem sentimento -
esperteza, com o passarinho!
Secundarista.
S agacidade –
E gressa
C omicidade,
U ltimada,
N ada
D isponível
À
R etornar
I nsofismável –
S istema
T radicional
A sséptico.
Como Proteger a Palavra.
Tentado entrar em um buraco negro,
no mar daqui, com beijos em metais
nobres, trazidos lá do Rio da Prata
por navios enamorados, vagantes,
com sêmen forjado em cobre e
ejaculado por ferreiro - Withal,
namorado da filha de Adorno -
octagenário e do engenho
cana de açúcar - século XVI.
Obstado fluído pensamento,
em singradas águas de nossos mares,
como em avenida metrificada
por semáforos, nesse nosso asfalto.
Tentado entrar em um buraco branco,
dono aqui de lojas no emissário
submarino em meio à frigidez,
de um comércio, que se manterá
se germinar em útero alheio.
Tentado obstar pensamento forja,
de tantas namoradas, com as lojas
estilhaçadas em buraco, mas
descolorido, cavado na casa
da palavra, afastado, assim,
da dança de roda, fruto de ausente
Cultura Caiçara do Fandango.
Dança o pescador quando ele só
aguarda o desenrolar da História.
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