terça-feira, 16 de junho de 2015

Exercícios: Mito, Neologismos e Ponto de Ônibus.

Mito:

   - Bentinho (*) era um típico representante da tradicional elite.
   - Do grupo que marca sua história como bem entende?
   - Daquele que ressalta ou omite o que lhe convém.
   - Com a mesma arbitrariedade?
   - É. Com o mesmo elitismo com que seus pares escreviam a história do Brasil.
   - Ou comandavam o país?
   - Mas o Escobar – seu amigo desde a infância, quando morreu denotava ausência de bens.
   - Isso desfaz o mito de desigualdade pequeno, no Brasil.
   - Por causa do que?
   - Dos inventários levantados, que só rastreavam os de posse.
  - Na Europa, nos séculos passados, a desigualdade era de 80% nos bens detidos pelos mais afortunados. E nos Estados Unidos de 70%.
   - E no Brasil?
   - 59%.
   - Esse é um mito, por total ausência de inventário dos miseráveis e escravos. 
   - Machado de Assis traz essa realidade. 
   - Assim como Balzac na mesma época na Europa - além da econometria dessa estatística. 
   - Sim. No primeiro capítulo ele, narrador de seu próprio protagonismo, se diz bacharel em direito. 
   - E depois? 
   - No segundo diz das posses, de sua família, como fazenda e escravos que, vendidos, tornaram-se imóveis no centro do Rio de Janeiro, geradores de renda em forma de aluguel.

* “O Segredo de Escobar’ - amigo de Bentinho, em Dom Casmurro - Machado de Assis, esse ‘...um típico representante da tradicional elite..., marca sua história como bem entende, ressaltando ou omitindo o que lhe convém, com a mesma arbitrariedade e o mesmo elitismo com que seus pares escreviam a história do Brasil ou comandavam o país.” – André Dutra Boucinhas, Questões histórico-literárias, Piauí-junho.2015, pág. 60.

Neologismos:

O xurum.

   - Há um som melancólico: xurum.
   - E um choro de curumim.
   - Umedece meus olhos.


O gralabá.

   - Ânsia de vômito de minha mãe, em minha gestação: gralabá.
   - Você a ouvia?
   - Não, mas a imagino!

O crinche.

   - Pise de leve.
   - Evite as beiradas.
   - A peroba rosa estala: crinche?
   - Não. São as juntas no piso corrido de madeira.


Ponto de Ônibus.

   - Depois do que você falou!
   - Não será depois do que você pensou?!
   - Baixe sua arma e vai cuidar de sua vida.
   - Mas eu não tenho arma.
   - Sua língua.
   - Mas, não será sua falta de linguagem, que o faz linguarejar?
   - Você está pisando duro.
   - Desde o crinche das beiradas da peroba rosa do meu chão de casa que eu piso com cuidado, É o chão que me acompanha.
   - Esta conversa me dá ânsia.
   - O gralabá do que antecede o vômito e seu desdobramento sonoro acompanha todo parto difícil: esse contido em suas reticências.
   - Eu não choro!
   - O xurum do curumim que me acompanha é o que está a me umedecer os olhos.

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