Mito:
- Bentinho (*) era um típico representante da tradicional elite.
- Do grupo que marca sua história como bem entende?
- Daquele que ressalta ou omite o que lhe convém.
- Com a mesma arbitrariedade?
- É. Com o mesmo elitismo com que seus pares escreviam a história do Brasil.
- Ou comandavam o país?
- Mas o Escobar – seu amigo desde a infância, quando morreu denotava ausência de bens.
- Isso desfaz o mito de desigualdade pequeno, no Brasil.
- Por causa do que?
- Dos inventários levantados, que só rastreavam os de posse.
- Na Europa, nos séculos passados, a desigualdade era de 80% nos bens detidos pelos mais afortunados. E nos Estados Unidos de 70%.
- E no Brasil?
- 59%.
- Esse é um mito, por total ausência de inventário dos miseráveis e escravos.
- Machado de Assis traz essa realidade.
- Assim como Balzac na mesma época na Europa - além da econometria dessa estatística.
- Sim. No primeiro capítulo ele, narrador de seu próprio protagonismo, se diz bacharel em direito.
- E depois?
- No segundo diz das posses, de sua família, como fazenda e escravos que, vendidos, tornaram-se imóveis no centro do Rio de Janeiro, geradores de renda em forma de aluguel.
* “O Segredo de Escobar’ - amigo de Bentinho, em Dom Casmurro - Machado de Assis, esse ‘...um típico representante da tradicional elite..., marca sua história como bem entende, ressaltando ou omitindo o que lhe convém, com a mesma arbitrariedade e o mesmo elitismo com que seus pares escreviam a história do Brasil ou comandavam o país.” – André Dutra Boucinhas, Questões histórico-literárias, Piauí-junho.2015, pág. 60.
Neologismos:
O xurum.
- Há um som melancólico: xurum.
- E um choro de curumim.
- Umedece meus olhos.
O gralabá.
- Ânsia de vômito de minha mãe, em minha gestação: gralabá.
- Você a ouvia?
- Não, mas a imagino!
O crinche.
- Pise de leve.
- Evite as beiradas.
- A peroba rosa estala: crinche?
- Não. São as juntas no piso corrido de madeira.
- Não. São as juntas no piso corrido de madeira.
Ponto de Ônibus.
- Depois do que você falou!
- Não será depois do que você pensou?!
- Baixe sua arma e vai cuidar de sua vida.
- Mas eu não tenho arma.
- Sua língua.
- Mas, não será sua falta de linguagem, que o faz linguarejar?
- Você está pisando duro.
- Desde o crinche das beiradas da peroba rosa do meu chão de casa que eu piso com cuidado, É o chão que me acompanha.
- Esta conversa me dá ânsia.
- O gralabá do que antecede o vômito e seu desdobramento sonoro acompanha todo parto difícil: esse contido em suas reticências.
- Eu não choro!
- O xurum do curumim que me acompanha é o que está a me umedecer os olhos.
- Não será depois do que você pensou?!
- Baixe sua arma e vai cuidar de sua vida.
- Mas eu não tenho arma.
- Sua língua.
- Mas, não será sua falta de linguagem, que o faz linguarejar?
- Você está pisando duro.
- Desde o crinche das beiradas da peroba rosa do meu chão de casa que eu piso com cuidado, É o chão que me acompanha.
- Esta conversa me dá ânsia.
- O gralabá do que antecede o vômito e seu desdobramento sonoro acompanha todo parto difícil: esse contido em suas reticências.
- Eu não choro!
- O xurum do curumim que me acompanha é o que está a me umedecer os olhos.
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