sábado, 28 de março de 2015

11. O Nada.

   Gestar após consumar, consumar após amar, amar após se apaixonar, se apaixonar após conhecer, conhecer após conversar, conversar após ouvir, ouvir o que foi gestado.
   O vácuo está presente, silente, na ausência do ar que foi expulso, dali, mecanicamente pra fora da cavidade, que tem paredes forradas por mucosa, que se anima a ocupar, aquele, espaço deixado. Forma cistos, com contido líquido, organizado e fibrosado e, esses, passam à cavidade contígua, por onde deveria entrar o ar e sair o muco – antes líquido. Há presença de massa, assemelhada à uva em cachos pálidos, que querem ganhar o meio externo.
   Ausente pressão na cavidade.
   Presente mecânica da completude humana.
   Não há ausência natural que não seja ocupada pelo vazio.
   Não há vazio que não seja preenchido.
   Vazio, sempre preenchido estará, basta o existir.

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