sábado, 25 de abril de 2015

17. Refluxo.

   - Vejo , na água a sarjeta, meu rosto de olhos bem abertos.
   - Sente proximidade com o líquido amniótico, seguro e quente?
   - A segurança se esvai.
   - ... Mas, e o aconchego de sua mãe?
   - Sinto que a água é fria.
   - ... Mas, e o bueiro escuro e quente?
   - Tal água vem e, de longe dali, apenas passa.
   - Sinto, como ela, o útero que recebe a vida.
   - Então é acolhedor esse sentir?
   - Sim, mas o bueiro prende enquanto o canal do parto liberta.
   - Caia no canal que atingirá o horizonte.
   - Estava na vertical e agora estou deitado nessa água parada.
   - O rio me leva, a terra das margens me recebe e os peixes me acompanham.
   - Essa água corre mais que meu corpo que permanece, flutua.
   - A correnteza não forma ondas.
   - As pedras criam um fluxo diverso.
   - O musgo denota o estar preso.
   - Seu reflexo, o ser.
   - O cheiro é do homem.
   - O tato é da mulher.
   - Sua frieza é do nascer no mundo.
   - A cachoeira existe para o vidente.
   - O cego pressente o abismo.
   - A ponte dá dimensão do ego.
   - O fundo do leito a profundidade.
   - Cada estrela é um sentimento partilhado, no tocar de sua luz à superfície.
   - Antes disso há uma emoção de cada um.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

16. Abismo, Sublime Infinito.

   - O que é o abismo?
   - Entre a cozinha-editora e o banheiro-biblioteca, há um abismo de sabor, aroma, textura, paisagem e de quão audível está, em meio a tanto ruído, a obra escrita.
   - Já pra mim é, o abrupto arrancamento, via cesárea, do paraíso almejado – segurança e bem estar, do aconchego uterino, se percebido com sutileza suficiente pra afastar a necessidade de replicá-lo.
   - Em que momento se sentiu vivo - se tornou sublime?
   - Ao cantar. 
   - Em que momento a vida se afastou de si - que o quintal deixou de ser infinito? 
   - Ao me tornar instrumento da canção entoada, à capela, e passar a respirar, ins-e-expirar, ativamente.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

15. Minha Louça.

- Minha louça são meus dentes.
- A língua minha síndica.
- Céu da boca minhas nuvens.
- Garganta minha rua.
- Você a paisagem.
- Voz o vento que açoita.
- Nariz sua marquise.
- Seu imposto a comida.
- Alegria sobremesa.
- Lágrimas cachoeira.
- Cabelos a floresta, em kafkiana leitura.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Metas do Milênio - Conteúdo.

   Oito objetivos gerais são identificados:
1 - Erradicar a extrema pobreza e a fome.
2 - Atingir o ensino básico universal.
3 - Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres.
4 - Reduzir a mortalidade infantil.
5 - Melhorar a saúde materna.
6 - Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças.
7 - Garantir a sustentabilidade ambiental.
8 - Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.

   O Brasil é signatário da precaução desde a Eco-92. Haverá, assim, à partir do poder local, uma prevenção com risco de responsabilização criminal, do governo e do Estado, por agressões à natureza, segundo a interpretação feita, das palavras, do Secretário-Geral da ONU – Organização das Nações Unidas, quando em visita ao Brasil, difundidas através dos jornais. Pronunciamento nessa linha também fez o diretor-geral da Unesco - ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura, Koïchiro Matsuura, quando condicionou a salvação da humanidade a: mais conhecimento, mais contenção, menos matéria, mais concretude, mais ética e política (SÃO PAULO, Folha; pág. A3,; São Paulo, 17 de fevereiro de 2008).

    Guiado pelo preceito consensual: “Pensar Globalmente, Agir Localmente”, me expresso.

14. Tiro a Fumaça.

        
   - Tiro projetado, liberta o cano do revolver, risca o céu, desfaz a fumaça, desloca o ar que queima.
   - Combustão, da vida que não para.
   - Para, no vácuo provocado, incombustível.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

13. Minha Capa.

   - Esse vapor do banho é o que me atrapalha? 
   - Estou aqui. Enxergo meu olhar risonho.
   - Minha visão está centrada em meus olhos. Esse olhar suficiente.
   - Há uma figura gentil, de bom atendedor à necessidade alheia, que me domina, com olhar assemelhado, ao estampado em meu rosto, na descida de carro em ponto-morto, acelerado e atento.
   - As sobrancelhas deixam, aparadas, de me sombrear os olhos, estes somente assombrados com a visão.
   - Saí do computador, cuja tela não me reflete. É uma janela para fora de casa, mas com as cores do sofá vizinho, só menos intimista, pois ausente está um ronco de mal dormir, ou uma música que tente, à capela, quebrar o silêncio interior.
   - Tentarei novamente amanhã.

   - Enquanto vencedor, o fogo foi digno de foto, agora derrotado cabe ao escritor o seu rescaldo.

sábado, 4 de abril de 2015

12. Conflito.

   - Ooooh... !
   - Sim, é uma nuvem!
   - Ooooh... !
   - É, mudou de lugar!
   - Ooooh... !
   - Essa é branquinha!
   - Ooooh... !
   - Quer uma igual? Vou comprar um algodão doce.
   - Ooooh... ! Nhac...
   - É bom, né?
   - Ooooh... !
   - Essa é com água. Vou comprar água.
   - Ooooh... ! Glub...
   - Matou a sede, né? São coisas que virão... Festa de Cosme e Damião – doces, em forma de guloseimas, Romeu e Julieta – queijo com goiabada. O saci-pererê se abaixará pra pegar o doce na festa de Halloween, ou fará traquinagem se não atendido? Essa festa entrará na floresta, pra levar doce ao Saci? Você crescerá pra pegar a nuvenzinha do céu, ou estarei lá encima, no céu, pra soprá-la em sua direção...?
   - Ooooh... !