quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Cabide no Escuro.

À sombra de um cabide,
o chapéu por sobre ele,
na estatura da avó.
O medo não dominado
de um franzino cabideiro.

Nesse sono debruçado
em sonho noite adentro
meu sentir concretizado,
à janela que aberta,
que no mar sem fim liberta.

O saber que mais demora,
se abrupto olhar abrir,
no fechar de alma ao sonho -
pesadelo que domina,
chorar seco da ausência.

O tchau ainda não dado
beijar face não beijada,
abrir olho testemunho
do avô que não havia.
Cadê a franzina avó!?

sábado, 2 de abril de 2016

Atlântica Desembocadura.

Quebrasse inércia, Vicente de Carvalho - 
de pé - fronte à dureza, jardim fomentado,
ladeado em aconchego de uns traços 
benedictino-calixtos em suas águas 
do mar - por ambos assistido, em atlântica 
desembocadura – no céu, de tais posturas.

Rumo ao Barco Vizinho.

Fica em digna postura -
pra sua alma irreprimível
remar mais do que é seu barco.

Há ousadia da maré
endereçada aos ouvintes
dentre eles está você.

Disponíveis recortes mimos,
remados pelo seu barqueiro
insubmisso aos navegantes.

Dá leitura aos cem barcos nus,
pra presenciar oceano -
sentir entregue ao olhar.

Percepção há de haver que
transcreva antologia imersa
na ausência de alguns sabores.

Já que você é homenagem,
em alquimia à transformar
versos naquela maresia.

Mediante minha leitura,
que na rede eu sirvo a todos -
aos pressupostos mais nadantes.

Fechem essa minha janela
à nossa não cumplicidade 
para que a lua não a espie.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Cosmoimagética, Ontem e A Vela.

CosmoImagética.

Cabelo não cobre
imagem escura
que não ilumina
o claro cabelo.

A casa escura
contorna fluída
lá fora há vida
que esconde a casa.

Contraste é claro
estética escura
fluir movimento
fixa é árvore.

Mão fica à esquerda
nutrida escuridão
no silêncio que pulsa
só esquenta a chegada.

Cadê os carneiros?
Nada borboleta
Contra a corrente
cisnes nada igual.

A água reflete
cabelo não mexe
Com bater de asas
me levam você.

As ondas não chegam
maré inexiste.
O lago está fundo,
me deito na relva.

Há raiz sob a pena
que perdeu a voada,
voo baixo agora
na serpente ancestral.

Rasteja raiz
Confunde a pena
Que ali procura
a cosmoimagética.

O ferro confunde
visão no vitral
tecido nas sombras.

Azul de seus olhos
amarelo fio
despenteia cacho.

Por quê você rosa
floresce de costas
para os espinhos?

As folhas convivem
com a clorofila -
guarda exuberância.

Por quê você amor
floresce de costas 
às críticas?

Em fruto seu lanho,
como brilho só
eu rejuvenesço.

Ontem.

Ontem um bode solto
Com as cabras só presas
Estrangula alegria
Que floresce na relva.

Hoje sensível visita
Minha inquietude dói,
assalto que era ontem
é estranho ao combinado.

Vida é mar de alegria
Ao querer consumá-la
bem querer consagrado.

A Vela.

Sua energia ágora
há vento nesta sala
me empurra é agora
a chama de uma vela.

Mas o que ela faz
flambando a sua luz
pro lado que é de fora
como respiração.

Pra cima eleva
A cera derrete
A vida se esvai
Só, insanamente.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Quarto Estrangeiro.

Fico olhando, rememorando
a tua atenção que libera
minha entrada à sala

Debruçado sobre seu acervo
Água caudalosa no abrir de capa
torna-me belicoso arrependido
sem resignar-me

Revisito seu quarto
reabilitado ao amadurecer
que garanta resplendor
na manhã que raie com o sol

Desperta-me sem sangrar-me
para agora nutrir-me
ao ouvir em silêncio.

Minha Fortaleza.

Não fico olhando
Não rememoro
Não dou atenção
Não libero entrada a Zumbi
que não aporte
Não debruço nas águas
Não belicoso
Não arrependido
Não resignado
disto não reabilitado
Não amadurecido
Não garanto resplendor
Não navego
Não desperto elementos diametrais
não essenciais
não sangrados
não nutridos
por seu não ouvir
não silente.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Desejo.

Evocada noite escura,
que amanheça clara,
longe de entardecida,
guardada no infinito.