quinta-feira, 8 de setembro de 2022
Escravo em Haicai.
ser o estrangeiro,
dói mais da conta, sinhô -
Escravo, sem dó
rrr. - Cultura Caiçara (*).
“A MAIOR MIGRAÇÃO FORÇADA DA HISTÓRIA
“Nós criamos as instituições e as ferramentas que tornaram possível a existência de um fenômeno tão brutal quanto a escravidão. Nós demos a elas a função de levar a cabo atitudes que considerávamos razoáveis dentro do contexto em que vivíamos.
Portanto, o fato de que não existem mais monarquias como aquelas ou de a Igreja não ter o mesmo poder de antes não faz com que os elementos que nos levaram àquela realidade, quinhentos anos atrás, tenham se extinguido por completo. Dificilmente veremos um político defender hoje que voltemos a enfiar milhõe de pessoas à força dentro de navios, para submetê-las, sob tortura, a trabalhos insalubrese sem remuneração do outro lado do mundo. Entretanto, volta e meia somos lembrados de que, até os dias atuais, vivemos ao lado de contemporâneos nossos que consideram o racismo justificável. O mesmo vale para formas contemporâneas de escravidão. [...] ainda que em escala reduzida ou sob nomes mais modernos. [...] Somos o resultado de sucessivas ondas que oscilavam entre integração e segregação. Essas ondas não apenas continuam até os dias de hoje, como seguirão através dos tempos, mudando continuamente a perceção sobre quem somos.” - páginas 41-42.
* “Ser estrangeiro” - João Paulo Charleaux, coleção “Tirando de Letra“ - “claroenigma”, da “Companhia de Letras”, SP - 2022.
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ResponderExcluirser o estrangeiro,
ResponderExcluirdói mais da conta, sinhô -
Escravo, sem dó
rrr. - Cultura Caiçara (*).
“A MAIOR MIGRAÇÃO FORÇADA DA HISTÓRIA “Nós criamos as instituições e as ferramentas que tornaram possível a existência de um fenômeno tão brutal quanto a escravidão. Nós demos a elas a função de levar a cabo atitudes que considerávamos razoáveis dentro do contexto em que vivíamos. Portanto, o fato de que não existem mais monarquias como aquelas ou de a Igreja não ter o mesmo poder de antes não faz com que os elementos que nos levaram àquela realidade, quinhentos anos atrás, tenham se extinguido por completo. Dificilmente veremos um político defender hoje que voltemos a enfiar milhõe de pessoas à força dentro de navios, para submetê-las, sob tortura, a trabalhos insalubrese sem remuneração do outro lado do mundo. Entretanto, volta e meia somos lembrados de que, até os dias atuais, vivemos ao lado de contemporâneos nossos que consideram o racismo justificável. O mesmo vale para formas contemporâneas de escravidão. [...] ainda que em escala reduzida ou sob nomes mais modernos. [...] Somos o resultado de sucessivas ondas que oscilavam entre integração e segregação. Essas ondas não apenas continuam até os dias de hoje, como seguirão através dos tempos, mudando continuamente a perceção sobre quem somos.” - páginas 41-42.
* “Ser estrangeiro” - João Paulo Charleaux, coleção “Tirando de Letra“ - “claroenigma”, da “Companhia de Letras”, SP - 2022.
https://libertodesi.blogspot.com/2022/09/escravo-em-haicai.html?m=1