quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021
"Voz" de Eliane Braum - estudo comparado.
“Voz” – Eliane Brum, Conto da página 121 a 127 na "Árvore do Livro", da obra literária “A Vida que Ninguém Vê”.
Viver em poesia é forjar o mundo,
para o que peço licença a cada leitor.
Historicidade da leitura:
Li tal Conto do livro de 2006 da Eliane Brum, publicado em forma de Crônica no jornal “Zero Hora”, da cidade de Porto Alegre, agora com cores vibrantes dadas pelo diálogo;
Aquilo que me impactou nessa leitura: foi perceber algumas preferências nacionais populistas em detrimento a outras estruturais de bastidores; por exemplo:
Clodair não enxerga nada, mas tem uma voz de Cauby Peixoto. Ele vende bilhete em uma esquina das ruas Ladeira com a rua da Praia em Porto Alegre. Seus brados atrapalham um curso supletivo e pré vestibular, o “Monteiro Lobato”. Foi estabelecido um ajuste de conduta perante o judiciário, entre as partes com suas respectivas demandas, mas isto não foi respeitado. Também em Goiás, na cidade de Anápolis aconteceu e quiçá por igual motivo, na forma de um abaixo assinado do pessoal da Santa Casa de lá, pra impor, sumariamente, o fechamento de um bar próximo; a mesma reação foi gerada contra o hospital, só que com maior número de subscritores; isto ilustra uma preferência nacional de encontro entre homens, como maioria de frequentadores, em um bar, assim como a esperança em jogo de loterias legal e ilegal. Em minha opinião o sentimento de pertencimento àquele grupo social gerou tal união, nutrida quem sabe nesse grupo, aqui tomando seu aperitivo literário semanal. Já no conto de Eliane Brum há a preferência nacional pelo jogo, pontuada pela venda de bilhetes, isto em altos brados, o que atrapalharia uma reunião como aquela que pautou tal leitura, o "Clube de Leitura 6.0" do Galeno Amorim, se alguém monopolizasse o dizer junto à audição desse pequeno coletivo. Há outros sons ruidosos que, diferentes da voz humana, se acontecerem em frequência maior de 22 vezes por minuto, mesmo em menor volume em decibéis, lesam o sistema auditivo. Quando predomina o populismo, prevalente à luz do dia, no caso venda de bilhetes de loteria, em detrimento ao bastidor da escola, existe um deserto habitado. Em São Paulo há o programa “Psiu” onde o som não pode ultrapassar o limite do próprio cenário gerador, portanto não só por seu volume em decibéis.
Sem esperar um aprendizado imanente do aparecimento de um nódulo, em ambas pregas vocais tanto do vendedor de bilhetes quanto do professor da escola incomodada, provocado pela voz em ataque no bater de uma corda vocal na outra, percebe-se outra solução, diferente da persecutória; é aquela que premia com demonstração de afeto, com a contratação do vendedor como porteiro, por exemplo, pelo curso preparatório ao supletivo e ao vestibular, mesmo que ele continue a vender seus bilhetes de forma sutil. Parece-me.
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