Uma cobra tenta alcançar o galho de goiabeira. Chega àquela altura pelo telhado da capela. Sobe pelo altar abandonado. Passa por entre os instrumentos musicais da banda. Estes ali deixados como que condenados por mal comportamento. Não é incomodada pela vara de trombone. Não vibra pelo couro curtido do bumbo. Não se deixa, assim, esmagar pelo desfile marcial de sete de setembro. Não dá ouvidos à homilia de domingo. Se esgueira pela sombra do confessionário que a protege dos raios do claro dia.
Já passa do meio dia, esta hora da primeira tentativa de alimentar-se. Não de goiaba, mas, sim de filhotes de passarinho no ninho desavisado. Avistada a manobra pelo explodir de gotas de chuva empoçada abaixo daquela árvore. Ela sofre com o vento que balança o galho mais próximo do pequeno prédio dentro da base aérea. Esta de aviões que aterrizam, perto dali, com leveza.
A ferradura da formação de escoteiros não lhe traz, à meia distância entre a igreja e a cobra, sorte. Aos pássaros sim, estes afortunados pelo amuleto de natureza morta ali presentificada. A árvore à retribuir, pelo canto passarinho, com sombra a seus inquilinos.
Lá vai a cobra na terceira tentativa.
A Capela, o Menino e a Cobra.
ResponderExcluirUma cobra tenta alcançar o galho de goiabeira. Chega àquela altura pelo telhado da capela. Sobe pelo altar abandonado. Passa por entre os instrumentos musicais da banda. Estes ali deixados como que condenados por mal comportamento. Não é incomodada pela vara de trombone. Não vibra pelo couro curtido do bumbo. Não se deixa, assim, esmagar pelo desfile marcial de sete de setembro. Não dá ouvidos à homilia de domingo. Se esgueira pela sombra do confessionário que a protege dos raios do claro dia.
Já passa do meio dia, esta hora da primeira tentativa de alimentar-se. Não de goiaba, mas, sim de filhotes de passarinho no ninho desavisado. Avistada a manobra pelo explodir de gotas de chuva empoçada abaixo daquela árvore. Ela sofre com o vento que balança o galho mais próximo do pequeno prédio dentro da base aérea. Esta de aviões que aterrizam, perto dali, com leveza.
A ferradura da formação de escoteiros não lhe traz, à meia distância entre a igreja e a cobra, sorte. Aos pássaros sim, estes afortunados pelo amuleto de natureza morta ali presentificada. A árvore à retribuir, pelo canto passarinho, com sombra a seus inquilinos.
Lá vai a cobra na terceira tentativa.
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