A Partida.
- Mas, ela teve um mal súbito!
Um provável não lugar pra maioria, mas, o lugar de confissões daquela passageira.
Dentro de um ônibus, não basta entender, tem que sentir o acontecido?
Teria contado algo de bom em sua última viagem e, ora bolas, riram! Agora que chorem!
- Vai ao hospital, Lurdinha - minha filha, lá na UTI! Leva seu celular pra me dizer!
- Ela caiu, à porta da farmácia, no meio da ligação. Desmaiou!
- Algum atendente daquela farmácia pegou o celular, caído ao chão e, quase imediatamente, desligou, pois me disse: "é trote"! Por certo imaginou ter eu lhe assediado a paz e, gerado assim, tal mal!
- Onde desço, motorista, pra chegar no centro de Cultura? Indaga àquele profissional em trajetos, lá à frente e após fechado semáforo.
- Eu aviso, o senhor, ao chegar o ponto!
- Esses velhos! Queria ver se fosse com algum deles! "Segredado ao pé de ouvido" pra terceira pessoa, esta prestes a descer.
- Você precisa ir à unidade de urgência, no trajeto deste ônibus e perguntar no balcão, se ali estaria internada sua conhecida. Retrucou em cumplicidade, esta entre mulheres, que se socorrem, em belíssima solidariedade.
- Obrigado motorista! Desço aqui.
Desceram o velho e a cumpliciada mulher.
- Que bem me teria causado o fone de ouvido, viu?
- Que mal faria, à viagem, se cada um exigisse o parar ou mudar de rumo de ônibus pelo motorista, em atenção pra si.
É a revolta daquela mulher, feita boneca, com controle remoto. Vingada estava, contra aquele meio, até ali, submetedor de grande irmão. Fez-se passar por irmã caçula se rebelando. Contra o papel, imposto, em coadjuvante postura.
rrr.
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