domingo, 16 de agosto de 2026
Ipê-branco em haicai.
em meio à rua -
tronco e galhos marrons
com flores do Ipê-branco
rrr. - caminhodasaguasantigas / haijins encadearem
domingo, 9 de agosto de 2026
Agosto em Tanca.
agosto com vento –
intempérie castiga
a Praia de inverno
sopro apaga a vela
do triplo festejo
Dia dos Pais.
Aparece-me pai, disposto à formação da gente, além da ferramenta que olha o mundo. Você é o passado, ponto de partida em acolhimento, é o saber perfeito, agora abstraído. VIVA!
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Rinofima.
Rinofima
... pegue de um lado e leve para o outro. (*)
Quer ver? Olhe pra essa escatologia –
nota-se leigo tão assim alçado
à pobreza que não demandaria
alvo, este acertado em um xis traçado.
Não há nem legenda nesse meu dizer
em carne, na altura do meu nariz,
depois de ingerir tantas visões vis,
a fome tamanha há de me comer.
A minha fisionomia está
emanando saudável dissabor,
tão flagrante naquele polaroide.
Sempre quem navega, um dia admoesta
aquele que mal dirige o trator,
pra papoula não virar opioide.
após a queda –
aquela tinta dourada
no Vaso chinês. – navega.
De enveredada caneta herda-se
evocada aspersão do salão marinho
apenas por narina esquerda, se
deixando repetir o desalinho.
Assim como um remo arrastado fora
d'água dentro de areia avizinhada.
A pele protusa assim demarcada
por importante profissão de outrora
dando lugar ao novo fazer, é,
a ímpar caneta impõe-se, mas agora
abrindo outro tipo de ofício, né?
Já na amarelinha com o seu pé
fica o inesquecível gosto da aurora
que toda criança sabe como é.– diário
* O monstro debaixo da cama / Vinícius Carlos Vieira – Santos – 2021 : ed. do autor; O Sinal – pág. 71.
domingo, 2 de agosto de 2026
Banho de sol em Haibun.
O sanhaço aproxima-se na paisagem. Ali banha-se em sutil manhã de inverno. O alado pousado naquele vaso suspenso sob eira e beira em reluzente dia. Próximo àquele azulado, com cafezinho sorvido e esperanças renovadas, alguém espreguiça-se frente ao devir evocado em dois ovos da rolinha no ninho que balança ao vento. As casquinhas brancas poupadas pelo ciclone extra tropical, aconchegadas pelos galhos da orquídea. Juntos ao tronco da palmeira sombreiam um rachado tronco que ao chão está, este vencido por tal turbulência. Na recém habitada casa, a debruçada proximidade é tamanha
os raios oblíquos
aquecem o coração -
Banho de sol
rrr. - caminhodasaguasantigas / encadear de haijin
sábado, 1 de agosto de 2026
Voar em soneto.
Voar
"É a vez do menino que se deixa voar" (*)
Escrevo ao não ter o que contar
transcendendo jornalísticos atos
deixo-me solto pra devanear
mas permitindo-me vestir sapatos.
Você também deveria tentar
traduzir assim seu tempo tão vívido
pra deixar marcas daquilo querido
sem precisar você espernear.
Editado livro, imaginar
pois impressora moderna embasa
fino presente à leitura dela
A poética traz você pra cá
prosa ti leva pra perto de casa
canção transpassa a sua janela – navega.
* "É a vez do menino que se deixa voar" / Celestino, Rafael Palmieri Brandão - Santos, S.P. - 2024 : Ed. do Autor.
domingo, 5 de julho de 2026
Frio em Haibun
_Um jovem austríaco de apenas dezessete anos, chamado Sigmund Freud, ingressou como calouro na universidade de Viena. ... Era uma época de desmistificacões, de curiosidade e de uma confiança otimista no engenho humano, mais do que na inspiração divina_ . (*)
O timoneiro da canoa postado no banco de trás com dois mosquetões presos à perna esquerda. Dali ao remo e à canoa, pra ambas ferramentas não serem arrastadas pelos ventos ou marés. Em um de seus dois lugares e vinte e dois quilos com o voga à frente, dando ritmo à remada. Assim ele decide mais rápida ou fortemente a cadência conforme aquilo que se impõe, a marola, a onda ou outra embarcação que cruzasse o caminho...
Previstos para aquele dia ventos de 6 nós, ondas de um metro e maré alta, com sol brilhante naquele amanhecer. Brindados pelo voo de 30 papagaios em audível grasnar, mais um sobrevoo de um urubu comum. Ambos visíveis pela posição assumida pelo timoneiro após saída de seu lugar para a aportagem à praia do Saco do Major, deitado olhando o céu, com dois cabos de polipropileno esticados por uma estrutura ao sabor da onda de retorno, um preso ao remo e outro ao barco tracionado em direção à praia pelo biólogo que o puxava. Ali com lineares ondas, frutificadas de marolas chegando do mar aberto, batendo também no costão rochoso à beira do bioma da Mata Atlântica de carneirinhos metafóricos formados pela branqueada espuma.
— Já dá pé, disse o voga dentro dágua e tendo a proa em mãos. Aprumado rumo à praia após diversas explosões da água no casco.
— Perdi meus óculos. Não, pois estavam na testa seguros pelo chapéu laçado em meu queixo, jogados ali naquela ponta cabeça repentina.
— Olha minha calcanheira ali, focada pelos óculos gloriosamente escorregados às órbitas, ajudando com a visão mulitifocal.
Mais tarde a sapatilha que acompanhou a calcanheira ao fundo do mar me faria falta em evento quase trágico: Edema Parietal Subdural Direito.
frio perpassa a pele –
o canto dos pássaros
chega ao remador
* As regras da guerra / João Paulo Charleaux – Rio de Janeiro – 2026 : ed. Zahar, pág. 88, ...barco, ..., e direitos universais. -
rrr. - caminhodasaguasantigas / haijin encadear.
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