quarta-feira, 13 de julho de 2016

Carta ao Fogo Amigo.

Ajoelhar-se
é tão indigno:
passaralho, com o passarinho!

É comezinho
minimalista: 
recatado paneleiro, com o passarinho!

A maioria
simples agora:
só pau de galinheiro, contra o passarinho!

Prisão-terror -
sem mulheres,
liberta-amor - minoria passarinho!

O adversário pisa no pé
do menino brasileiro, que cai -
pula pra safar-se, compleição leve,
mas o comentarista quer trator
machão que se machuque - com seu sangue,
pra provar que não simula no jogo.

Não passarão
privilégios às custas
de direito do passarinho!

Você só chora
a lágrima que fica:
paz enganadora, com o passarinho!

Muda produto -
decretos são grãos,
não sobram pro passarinho!

O poder frio
corta a água:
bananice, com o passarinho!

Futebol que dava vez ao atleta -
franzino brasileiro, mas tv
dá voz ao comentarista machão -
jogador aposentado pesado,
que desce sarrafo em seu atacante -
do futebol, arte malevolente.

Momento Cocoon -
babando desesperadamente,
em busca do passarinho!

Quebrar o braço 
sem aprender: 
haver-se com o passarinho!

Pernaltamente
passadas ganhas - 
entregocracia, com o que é do passarinho!

Sem corrimão
tombo é certo: 
rolocracia, junto ao passarinho!

Ao dizer: futebol moderno é
o europeu, pra brutamontes, faz
o favor se colocar o seu filho
sob supervisão de mãe zelosa,
diferente de sargentona,
pra fugir do fogo amigo - no céu!

Status quo -
interino, não representa
o passarinho!

Imposta regra -
estais lá ou estáis cá,
com o passarinho!

Dito adeus –
logo responde:
você é passarinho!?

Achaque da solidariedade,
sem sentimento -
esperteza, com o passarinho!

domingo, 10 de julho de 2016

Duas dinâmicas de Ler o Vizinho - programa, para maiores de 12 anos.

I) Dinâmica I:
a) Meu dizer poético, seguido de
b) Caminhada musicada - da sala à biblioteca:

Cantoria: Reboca o Navio - Roque & Baraquet.

em meio à pequena sombra
os raios de sol - 
árvore sem folha

Somente o navio é melhor, do que o rebocador,
utilizado, que fica no livro mais do que lido,
na função de puxar ou apenas de empurrar.

Fica onde está até receber aquele estímulo,
aquele estímulo recebido onde está?

...necessidade navio que estimula, ali,
nele navega esse viajante navegador
ao ter sido tirado de onde estava parado.

gira na mão
movido à correria
catavento colorido

colorido catavento
movido à mão correria?

https://soundcloud.com/user109475440ricardoroque/reboca-o-navio

Biblioteca:

1) escolha de distribuídos dizeres - três grampeados, à entrada da sala: 
a) evocado cenário - haicai, para rodada rápida de leitura rápida; 
b-c) de gêneros - em diversidade do dizer poético, para cada um ler, da Cultura Caiçara: 
b) masculino, e 
c) feminino;
2) Mulher Caiçara - crônica contemplada no Acervo no Concurso de Crônicas do Acervo - 2016, lida pelo coordenador;
3) colagem antológica, dos textos escolhidos, em livro-suporte artesanal, este para os da dinâmica II lerem (quiçá para oficina à tarde);
Obs.: texto preterido pode ser levado por cada um.
4) Final de I com outra canção:

Chatice sem Você - Roque & Baraquet:

Magnânima é a arte
quando ilumina nossa parte...

você encontra seu limite e
se coloca pra brincar bem,
onde déspota se mantém
com domínio ferrenho, só
joguete, da necessidade
que mais pertence ao ser humano

...que acolhe mais que exclui
num abraço que assim imbui...

treinada com crianças grandes
com generosa poesia
no encontro de gente que chia
impõe sua experiência sábia
e repete o laboratório
da realidade que melhora

...beijos em toda nossa face
com estalos onde enlace.

...com estalos onde enlace,
beijos em toda nossa face.

https://soundcloud.com/user109475440ricardoroque/chatice-sem-voce

II) Dinâmica II:
a) Meu dizer poético, seguido de
b) Caminhada musicada - da sala à biblioteca:

Brincante Charleaux - Roque e Charleaux:

Canta compartilha
hoje hino
até antecipa,
resgata rua
luz, louva,
emana, emoldura
anterior à
ulterior unidade,
xamã xavante -
brincante Charleaux

árvore verde -
sombreado chão
uma folha amarelada

na infância a brincadeira acontece:
ninguém se amola,
o brinquedo é sorridente e
o brincante se apetece

na adolescência o brincante extrapola,
fica e namora:
é mambembe como uma bola

o adulto necessita de segredo:
é cúmplice a olhos vistos,
em olhares que o engrandeça
e evitem seu degredo

Cativa colheita -
hombridade hermosa,
ainda acolhedora,
retidão reina
lida livre,
embaixador emudece,
àquele adianta
um ultimato -
xô xadrez... 

https://soundcloud.com/user109475440ricardoroque/brincante-charleaux,

Biblioteca:

1) escolha dos dizeres da Fortaleza da Barra, com leitura dramatizada;
2) leitura do livro compilado pela outra turma (I) em círculo, de livro-suporte artesanal;
Obs.: texto escolhido pode ser levado por cada um.
3) Final de II com outra canção:

Caiçara Poética - Roque & Baraquet.

Praça Benedicto Calixto.sp.com
espaço Plínio Marcos - lufada inspiradora.
Cenários, além de atores, no encontro paralelo.

Parecem deslocados da maresia, 
na ausência de estátua do Plínio, 
a pesar no sebo armado, ao lado de pequeno arena.

Instigam reflexão, àquele de Santos, 
quando lá geram um dizer poético seu, 
na estranheza - ausente paisagem.

Pretenso público, sentado no arena... 
audição pra sarau?
Há complemento disso, na praça do aquário.

Acolá hálito de gastronomia, substitui poema.
Ali só, brumas e fluidez,
testemunho não justifica.

Depara-se com a imensidão do mar, horizonte, céu,
estátua do pescador caiçara e seus ingredientes,
ao falar, aspira pertencimento, à vida. 

https://soundcloud.com/user109475440ricardoroque/caicara-poetica .

terça-feira, 28 de junho de 2016

Como Proteger a Palavra, Miserere e Festa Junina.

Como Proteger a Palavra.

Tentado entrar em um buraco negro, 
no mar daqui, com beijos em metais 
nobres, trazidos lá do Rio da Prata 
por navios enamorados, vagantes, 
com sêmen forjado em cobre e 
ejaculado por ferreiro - Withal, 
namorado da filha de Adorno – 
octagenário e do engenho 
cana de açúcar - século XVI. 

Obstado fluído pensamento, 
em singradas águas de nossos mares, 
como em avenida metrificada 
por semáforos, nesse nosso asfalto. 
Tentado entrar em um buraco branco, 
dono aqui de lojas no emissário 
submarino em meio à frigidez, 
de um comércio, que se manterá 
se germinar em útero alheio. 

Tentado obstar pensamento forja,
de tantas namoradas, com as lojas
estilhaçadas em buraco, mas
descolorido, cavado na casa
da palavra, afastado, assim,
da dança de roda, fruto de ausente
Cultura Caiçara do Fandango.
Dança o pescador quando ele só
aguarda o desenrolar da História. 

Aforismo de Kafka: “O Messias só virá quando não precisarmos mais dele”.


Miserere. 

Releve minha brincadeira 
em nosso leito partilhado 
tão longe de outros sabores 
dramáticos em ousadia 
já percebida desairosa, 
por você ao dizer respeita. 

Rara testemunha é indutora - 
novidade sonora é tecida. 

Com a ousadia poética, 
com a qual apenas concebo, 
pelo que peço que eleve, 
diante do que é augusto, 
suposto ideal anárquico - 
do livre arbítrio almejado. 

Ontológico sagrado não fere, 
se erodido, o orgasmo legado. 

Ofuscada vivência pública, 
tão prezada se libertária, 
contra esboçado manifesto 
meio, assim, antiorgástico, 
que permita alguém tão humano 
relativizar o bom gosto. 

Jamais nasce nada erudito - 
sumário, mantido numa Arte. 

Nessa mistura ambiente 
onde se comunga o libertário - 
vacina contra um contexto 
imposto pelos degredados, 
sendo eu só um simples náufrago 
aportado em tentativa. 

Aforismo de Kafka: “certas pessoas negam a miséria, referindo-se ao sol”, mas ele nega o sol, referindo-se à miséria.


Festa Junina.

Prender o noivo, pra ganhar a noiva? 
Quem prendeu o rival foi um metido - 
à prerrogativa de apoderar-se. 
Pular fogueira e comer batata 
dá mais energia e mantém Cultura. 

O fogo nessa Cultura só queima - 
não traz calor renovado pra festa, 
deixa a madeira de sua árvore 
não certificada pelo afeto - 
abatida sem uma mais valia. 

Só padrinho irá soltá-lo pra 
cumplicidade se perpetuar. 
Foge à tentativa de conquistá-la, 
impõe a solução com pressa ao 
passar rasteira com perna alheia. 

Aforismo de Kafka: “Todas as virtudes são individuais, todos os vícios são sociais”.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

José Martins Fontes.

J amais
O bteve
S umariamente
E rudição.

M anteve
A rte
R ara -
T estemunha
I ndutora,
N ovidade
S onora:

F erida
O ntológica.
N ecrose -
T ece
E rodida,
S arada.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Interioridade!

 I nsaciável
N ata -
T ornada
E xperiência
R etrospectiva,
 I mersa -
O nipresente.
R egurgita
 I ntrospecção -
D emonstre-se
A ntítese
D a
E xistente!

sábado, 11 de junho de 2016

Indígena e Secundarista.

Indígena.

 I nsólita
N ação
D iversificada:
 I ncendeia
G raveto
E negrecido –
N eon
A borrecido.


Secundarista.

S agacidade –
E gressa
C omicidade,
U ltimada,
N ada
D isponível
À
R etornar
I nsofismável –
S istema
T radicional
A sséptico.

domingo, 5 de junho de 2016

Presente-Ausente.

Torço por sua existência,
ativa amorização,
encontro-a natureza.

Evocada noite escura.

Paladar que amo, 
transcende o querer,
audição do sonho.

Que amanheça clara.

Enxergo-a água –
fruído sentir,
presente-ausente.

Longe de entardecida.

Aromatizada,
traduzida em verbo –
sentimento vai.

Guardada no infinito.

Além do relicário –
está pulsante lá, 
pisando a areia.